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Por que os atos de 12 de setembro contra Bolsonaro fracassaram

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É inevitável dizer que os atos contra Bolsonaro convocados pelo MBL e VemPraRua no domingo (12/09) fracassaram.

As manifestações esvaziadas na maior parte das capitais e uma pequena multidão que ocupava apenas alguns poucos quarteirões da Av. Paulista, em São Paulo, dão a dimensão deste fracasso.

Embora seja motivo de comemoração para os bolsonaristas, em comparação aos atos pró-governo de 7 de setembro, o público reduzido era previsível e por dois principais motivos.

O primeiro motivo é justamente por conta dos organizadores dos atos, o MBL e o VemPraRua. Corresponsáveis pela ascensão do bolsonarismo, com o protagonismo nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, alimentado por uma retórica agressiva, reacionária e permeada por fake news, ambos os movimentos ainda estavam alinhados ao governo Bolsonaro no seu primeiro ano, fazendo atos conjuntos com grupos bolsonaristas.

No entanto, MBL e VemPraRua ensaiaram um rompimento no final de 2019, o que se tornou definitivo com a saída de Sergio Moro do governo em 2020.

O problema é que a maior parte de seus militantes de outrora ou seguem bolsonaristas ou – na melhor das hipóteses – ainda não são entusiastas de um impeachment do presidente.

Assim, esses movimentos perderam boa parte do público que conseguiam mobilizar em outros tempos.

O segundo motivo foi a ausência da maior parte da esquerda dos atos, principalmente do PT.

Com razão, a maior parte da esquerda não enxerga diferenças entre o que esses grupos representam e o bolsonarismo, e não quer marchar ao lado dos seus “inimigos”.

Por outro lado, já sem tanta razão, essa esquerda se ilude em pensar que pode derrubar Bolsonaro sem o apoio de eleitores de centro ou de direita mais moderada, que poderiam ser mobilizados por MBL e VemPraRua e que se sentem desconfortáveis de ir às ruas ao lado de bandeiras como “Lula Livre”. 

Adicione-se outro fator que é a questão do cálculo eleitoral. Por mais que o PT declare verbalmente o apoio ao impeachment de Bolsonaro, o partido não parece fazer tanto empenho pelo mesmo.

O motivo é simples: Lula, disparado nas pesquisas, tem maiores chances de vitória em 2022 contra um Bolsonaro enfraquecido. Sem Bolsonaro na disputa, o jogo muda e se torna mais incerto. Poderia gerar um candidato Mourão, fortalecido pelo cargo de presidente, ou mesmo impulsionar o tão falado candidato da terceira via, com os votos dos órfãos bolsonaristas.

Sem o impeachment, a verdade é que as eleições devem seguir polarizadas entre Lula e Bolsonaro. E se há algo que os atos de domingo mostraram foi justamente a fraqueza de uma possível terceira via.

Desde o início, o mote dos atos era o “Nem Lula nem Bolsonaro”. Com a perspectiva do fracasso, eles até tentaram mudar o discurso e atrair parte da esquerda, mas já era tarde demais.

As faixas, cartazes, discursos e até bonecos infláveis de Lula e Bolsonaro abraçados como presidiários mostra que a intenção foi sempre a mesma, mostrar o potencial de uma candidatura diferente. E muitos de seus pretendentes estavam lá: Ciro, Dória, Mandetta, Amoêdo. Todavia, nenhum conseguiu atrair multidões. E nada indica que isso deve mudar. 

Caio Barbosa é doutorando em Ciência Politica pela Universidade de São Paulo (USP). Foi pesquisador visitante na Harvard University (2021), além de ser mestre em Ciência Política pela USP (2016) e bacharel em Política e Relações Internacionais pela University of Essex, no Reino Unido (2005).

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