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Ásia

1 mês do golpe em Mianmar: líder recebe mais acusações e parlamentares classificam junta como terrorista

Um resumo do primeiro mês do golpe militar em Mianmar e últimos desdobramentos

Ady Ferrer

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Mianmar completou 1 mês sob o domínio do Exército, em um golpe instituído no primeiro dia de atividades do Parlamento eleito no pleito de novembro de 2020. Desde então, milhares de pessoas tomaram as ruas do país pedindo a volta da democracia e a liberação dos presos, principalmente da líder Aung San Suu Kyi, A Dama. O conflito nas ruas tomou proporções enormes nos últimos dias – e a polícia passou a atirar para matar.

A Dama

Aung San Suu Kyi foi presa junto com os parlamentares eleitos da Liga Nacional Pela Democracia nas eleições de 2020. Ela foi acusada de importar e utilizar walkie-talkies ilegais e teve sua prisão estendida. Logo depois, a acusaram de violar leis sanitárias contra a covid-19.

Hoje, 1°, ela foi formalmente enquadrada em outras duas leis: publicação de informação que pode causar “medo ou dano” e licença de equipamentos de telecomunicações. A primeira lei é da época em que Mianmar era colônia britânica e tem sido usada para minar a liberdade de expressão e prevê até 2 anos de prisão. Já a segunda acusação, prevê 1 ano de detenção.

Desde sua prisão, Suu Kyi não é vista. Ela estaria em prisão domiciliar, mas seus colegas de partido dizem não saber onde ela está. O advogado Min Min Soe afirmou que conseguiu acompanhar a audiência e ela parece estar bem. A próxima audiência está marcada para 15 de março.

Grupo Terrorista

Parlamentares eleitos, procurados pela polícia, criaram o Comitê Representativo Pyidaungsu Hluttaw, que em birmanês significa Parlamento de Mianmar. Hoje, o comitê decidiu classificar a junta militar como “grupo terrorista

O líder do Exército, General Min Aung Hlaing, disse que os militares estão investigando o comitê e possível utilização de recursos destinados para combater a covid-19 para esses parlamentares. Aung Hlaing também classificou o comitê como ilegal e que qualquer civil associado será punido.

Protestos online e offline

No dia 2 de fevereiro, médicos iniciaram uma greve e tomaram as ruas em protesto. A partir daí, mais e mais categorias aderiram à greve geral. Em resposta, a junta militar bloqueou o Facebook no país. A organização passou para o Twitter e apps de trocas de mensagens criptografadas, como o Telegram. A internet foi cortada 16 vezes no país.

A décima sexta foi agora à noite, a partir da 1 hora da manhã no horário local:

O Facebook derrubou a página oficial do Exército do país por incitação à violência.

Essas medidas não foram suficientes para impedir que as pessoas saíssem às ruas pedindo a volta da democracia. E a polícia tem respondido com violência.

A primeira vítima fatal dos confrontos nas ruas foi Mya Thwet Twet Khine, baleada na cabeça no dia 9 e faleceu no hospital 10 dias depois. Ela se tornou um símbolo da resistência e sua imagem é utilizada em todos os protestos. Desde então, a polícia passou a usar balas reais em diversos protestos. No dia 20 de fevereiro, 2 pessoas morreram em Mandalay, maior cidade do país.

No entanto, o dia mais sangrento foi ontem, 28. As Nações Unidas confirmaram a morte de 18 pessoas e 30 feridos.

Segundo o jornalista Wa Lone, da Reuters, 1213 pessoas foram presas no país até o dia 1° de março e 30 mortas:

Nos protestos de hoje, 1°, um jornalista do Democratic Voice of Burma foi preso após policiais invadirem seu apartamento. Ele publicou um vídeo onde acusa os policias de atirarem nele e pede socorro:

O jornalista Thein Zaw, da AP News, também foi detido durante a cobertura dos protestos. Segundo a Assistance Association for Political Prisioners, ao menos 13 jornalistas foram presos desde o início do golpe – 7 somente neste fim de semana.

*com informações de Irish Times e AP News

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Jornalista formada pela UCPel-RS, especialista em Relações Internacionais pela UnB e pós-graduanda em Cinema e Audiovisual pela Belas Artes de São Paulo. Podcaster no MIDcast política, #AdyNews e SulCast.

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