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América Latina

Equador: Rebeliões em presídios deixam mais de 70 mortos

Ao menos 75 pessoas morreram nas prisões do porto de Guayaquil e das cidades andinas de Cuenca e Latacunga. Presidente Lenín Moreno atribuiu os motins a “organizações criminosas” que atacam simultaneamente

Karla Burgoa

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O Ministério de Governo e a Polícia Nacional do Equador confirmaram na terça-feira (23) a ocorrência de motins simultâneos em três estabelecimentos penitenciários do país, localizados em Guayaquil, Cuenca e Latacunga. Aos menos 75 presos morreram e oito ficaram feridos.

O diretor do Sistema Penitenciário, Edmundo Moncayo, atribuiu a escalada de violência à luta pelo poder entre duas gangues, exacerbada pelo assassinato de um de seus líderes depois de recuperar a liberdade. “Há outra organização criminosa que reúne forças para assumir a liderança deixada por um cidadão que foi abatido em dezembro. Esperávamos uma ação imediata, mas demorou, e é a que aconteceu hoje. Dois grupos tentando encontrar uma liderança criminosa dentro dos centros de detenção”, disse Moncayo em uma entrevista coletiva na tarde de terça-feira.

Os três presídios onde ocorreram os distúrbios concentram 70% da população carcerária do país, disse Moncayo, com 38.000 detentos pertencentes a esse tipo de organização dentro das prisões.

Segundo seu relatório, todos os mortos eram presidiários: 33 no presídio de Turi, em Cuenca; 8 no de Latacunga, em Cotopaxi; e os outros 21 no de Guayaquil.

O Governo enviou reforços da polícia “para retomar o controle das prisões de Guayaquil, Cuenca e Latacunga”, disse o presidente Lenín Moreno na terça-feira.

A Procuradoria confirmou a retirada de oito corpos do presídio de Latacunga, na província de Cotopaxi, onde o ex-vice-presidente de Rafael Correa, Jorge Glas, cumpre pena pelo caso Odebrecht.

O diretor do sistema penitenciário confirmou posteriormente que havia policiais feridos, mas que os agentes penitenciários tinham conseguido sair a tempo. O ministro de Governo, Patricio Carrillo, indicou que entre os rebeldes daquele centro havia presos de “alto risco”.

O Posto de Comando Unificado, formado por policiais e militares, foi então convocado para retomar o controle das prisões.

Como explicação preliminar, o Serviço Nacional de Atenção Integral aos Privados de Liberdade (SNAI), responsável pela direção das prisões, apontou uma revista realizada na noite anterior como o estopim das revoltas. “Foi realizada uma revista no Centro de Privação de Liberdade de Guayas nº 4 ―o de Guayaquil―, pelo que se presume que estes acontecimentos sejam um sinal de resistência e rejeição por parte dos presos face às ações de controle”, afirmou nas redes sociais.

Posteriormente, o diretor do sistema penitenciário confirmou essa hipótese, indicando que duas armas de fogo foram apreendidas durante a inspeção. “Eram para vitimizar [assassinar] um dos líderes das organizações criminosas do centro de Guayaquil”, disse.

Os distúrbios simultâneos começaram, segundo Moncayo, porque a outra gangue rival, que está no presídio de segurança máxima de Latacunga, se antecipou e ordenou uma reação violenta para “assassinar” presos nas outras duas prisões.

O diretor do sistema penitenciário reconheceu então que havia problemas recorrentes, entre eles a superlotação.

Diante dessa situação, o diretor das prisões pediu um “marco legal suficientemente forte contra essas pessoas que não dão valor à vida dos seres humanos”.

*com informações de AFP

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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