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Ásia

Mianmar: apesar de ameaças do Exército, protestos seguem

Exército do país ameaçou usar força letal, mas manifestantes saíram às ruas mesmo assim

Ady Ferrer

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O Exército de Mianmar ameaçou usar forças letais contra os manifestantes anti-golpe instaurado no dia 1° de fevereiro no país. Em um anúncio público transmitido pelo canal de televisão estatal, MRTV, o governo alertou sobre os protestos e a greve generalizada:

“Foi descoberto que os manifestantes estão aumentando sua incitação para violência e anarquia para o protesto de 22 de fevereiro. Manifestantes estão agora incentivando as pessoas, principalmente adolescentes e jovens emocionais, para uma trilha de confronto onde eles perdão a vida”

A junta militar também culpou “bandidos” pela violência em protestos passados. Ontem, a polícia atirou e matou 2 manifestantes em Mandalay. No dia 9, Mya Thwet Thwet Khine foi atingida na cabeça em uma manifestação e faleceu 10 dias depois.

O governo desligou os sinais de internet no país inteiro durante a madrugada de hoje e o bloqueio deve permanecer até o meio dia, em Yangon e 9 da manhã de amanhã.

Protestos continuam

Em Yangon, a maior cidade do país, manifestantes protestaram em frente à Embaixada dos Estados Unidos. O Exército havia bloqueado a passagem ao redor da Embaixada, que se tornou foco de manifestantes que pedem a intervenção do país em Mianmar. A polícia intimidou os manifestantes batendo com os cacetetes nos escudos em formação e a multidão dispersou.

Trabalhadores de fábricas e do comércio aderiram à greve geral iniciada pelo Movimento de Desobediência Civil, em Yangon, e também na capital, Naypyitaw. O Movimento vem incentivando categorias a paralisarem.

Em Naypyitaw, a polícia utilizou um caminhão e outros veículos oficiais para bloquear a passagem e perseguiu manifestantes à pé. Em Pyinmana, cidade-satélite da capital, a polícia perseguiu manifestantes para prendê-los. Não se sabe o número certo de presos nas manifestação de hoje.

Em Mandalay, segunda maior cidade de Mianmar, cerca de 10 mil pessoas se reuniram em frente a um palco. Apesar da ameaça, não houve confronto na cidade.

No país, os números e as datas têm um significado importante. A data dos protestos de hoje, 22.2.2021 ou 22222, está sendo comparada com os protestos de 8 de agosto de 1988 – ou 8888, quando o povo se levantou contra outro golpe militar no país.

Mya Twate Twate Khaing

A jovem de 20 anos que morreu com um tiro na cabeça, Mya Twate Twate Khaing, vou cremada ontem, 21, em uma cerimônia budista. Ela foi a primeira vítima dos confrontos entre a polícia e manifestantes.

Milhares de pessoas estiveram presentes para prestar uma última homenagem à jovem que se tornou símbolo para os manifestantes:

Multidão presta última homenagem à Mya Thwate Thwate Kahing.
Foto: REUTERS/Stringer

A mídia estatal afirmou que legistas não encontraram evidências de que o tiro que matou Thwate Thwate Khaing partiu da arma de um policial. Também afirma que a jovem estava jogando pedras contra a polícia. Testemunhas contestam a versão do governo.

*com informações de AP News, Frontier Myanmar, Reuters e Malay Mail

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Jornalista formada pela UCPel-RS, especialista em Relações Internacionais pela UnB e pós-graduanda em Cinema e Audiovisual pela Belas Artes de São Paulo. Podcaster no MIDcast política, #AdyNews e SulCast.

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