Connect with us

América Latina

Bolívia: Ouvidoria recebe reclamações de cobranças excessivas para tratamento de casos COVID-19 em clínicas privadas

Famílias denunciaram que não podiam retirar o corpo dos seus entes, pois não tinham dinheiro para pagar conta excessiva do Hospital

Karla Burgoa

Published

on

A Ouvidoria da Bolívia, na semana passada, registrou quatro denúncias de cobrança excessiva e maus-tratos por clínicas privadas a pacientes com COVID-19, que descreve como um atentado ao direito à saúde.

Os centros denunciados são a Clínica Grumedso de Santa Cruz, o Hospital Nuestra Señora de La Paz e o Hospital Metodista de La Paz e o Hospital Agramont de El Alto. 

Nos três primeiros casos, os familiares denunciantes, que se dirigiram aos escritórios desta defesa, indicaram que os valores, somente para atendimento hospitalar, chegavam a 127.445 bolivianos no caso mais extremo, e que os gastos com insumos e remédios somavam-se nas contas são mais elevados do que os preços de mercado.  O quarto caso correspondeu a uma retenção de paciente.

De acordo com as denúncias, o caso mais oneroso corresponde à Clínica Santa Cruz Grumedso, que emitiu uma conta de 127.445 bolivianos, apenas para atendimento médico hospitalar, que não incluía terapia intensiva. Os familiares se surpreenderam ao constatar na composição da conta “custos muito altos que não têm relação com os preços de outras farmácias”. Revelaram que tiveram que deixar a titularidade para um veículo para retirar os corpos, pois não dispunham de recursos para o pagamento da dívida.

A segunda denúncia sobre as altas taxas afirma a que o Hospital Nuestra Señora de La Paz emitiu uma conta de 78.500 bolivianos para o atendimento de um homem de 58 anos, JAB, que morreu na UTI. Os familiares denunciaram que não poderiam retirar o corpo até a intervenção da Ouvidoria, pois haviam acabado de pagar o preço indicado anteriormente, de 40.000 bolivianos, 15.000 como adiantamento de internação e posteriormente outros 25.000, e que não dispunham de recursos para completar o valor total.

Situação semelhante foi apresentada no Hospital Metodista, onde cobrou uma conta de 20.000 bolivianos por quatro horas de atendimento a dois adultos, um de 61 anos e outro de 53 anos, ambos afetados com COVID-19. Os familiares disseram que o administrador lhes informou que deveriam pagar 20 mil bolivianos antes de interná-los na UTI e que, devido aos altos custos, optaram por retirá-los daquele centro, mas quando fizeram o pedido, o gerente disse eles que ainda deveriam pagar 20.000 bolivianos pelas quatro horas de atenção.  Eles relataram que conseguiram reunir 10.000 bolivianos para tirá-los da clínica.

Na cidade de El Alto, o Hospital Agramont dificultou a transferência de um paciente idoso para um hospital público, pois aquele hospital não tinha convênio vigente com o Sistema Único de Saúde (SUS).  O paciente faleceu naquele estabelecimento.

Em todos os casos, a Ouvidoria interveio para evitar que os estabelecimentos de saúde retenham pacientes, porém, devido à problemática, a instituição considera que se deve considerar que o controle e fiscalização das cobranças devem ser iniciados de imediato, tanto nas clínicas privadas como nas de medicamentos no âmbito da Lei de Emergência Sanitária.

*com informações de ATB Digital

Aproveitando o ensejo….
Aqui na Fonte BR, trabalhamos muito para entregar para vocês informações de qualidade amparadas unicamente na realidade dos fatos. Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você?
Clique aqui e seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo.

Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escolha a Fonte!

Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você? Seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo. 

X