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Indígenas

Na Amazônia, 60% dos cargos de coordenações regionais da Funai são ocupados por militares

Os militares estão em 14 das 24 coordenadorias regionais dos nove estados que compõem a Amazônia legal

Karibuxi

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Um paraquedista, quatro fuzileiros navais – sendo um da reserva -, quatro capitães, quatro tenentes e um tenente-coronel são os que lideram 14 das 24 coordenações regionais da Funai (Fundação Nacional do Índio) na Amazônia, representando 60% dos cargos. A proporção é superior às demais regiões do país, que têm uma taxa de incidência de 26,7%.

“É um cargo que atende na ponta, que tem relação direta com os indígenas. E o perfil mais adequado são agentes indigenistas, sociólogos, antropólogos, pessoas que conhecem a causa, têm sensibilidade e vão trabalhar para que se cumpra a missão institucional da Funai, que é proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas”, disse Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib, em entrevista ao jornal Brasil de Fato.

Apenas uma indígena ocupa 1 das 39 coordenações regionais da Funai no país. Azelene Inácio, do povo Kaingang, lidera a regional Interior Sul, em Chapecó (SC).

Indigenistas também veem com preocupação o aumento de militares ocupando cargos na Funai. Para Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), “os militares têm a concepção de que o indígena não contribui para a soberania do país. Eles são contra até a utilização do termo povos indígenas, e também são contra a autonomia dos povos sobre a gestão e demarcação dos seus territórios, buscando a ‘integração’ dos indígenas à sociedade nacional”.

Dinamam Tuxá também ressalta que a militarização do órgão reaviva a ideologia da ditadura militar. Segundo dados da Comissão Nacional da Verdade, cerca de 8,3 mil indígenas foram assassinados durante o período da ditadura militar no Brasil. “Além disso, ela é prejudicial para o andamento dos processos de demarcação e implementação de políticas públicas, por que eles não são agentes indigenistas e desconhecem como funciona a organização das comunidades.”, afirmou.

A aprovação do PL 191/2020, que visa legalizar o garimpo, mineração, plantio de sementes transgênicas e construção de hidrelétricas em terras indígenas também preocupa as organizações, uma vez que a presença dos militares ajudam a abrir espaço a este tipo de atividade. “Eles atuam para abrir as terras indígenas para o capital, para exploração desses territórios, e têm uma atuação decisiva no sentido de proteger as empresas mineradoras, o garimpo, fazendo lobby junto às comunidades indígenas para que haja essa permissão”, diz Oliveira.

A Funai não se manifestou a respeito.  

*com informações do Brasil de Fato.

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Comunicadora indígena. Povos indígenas e direitos indígenas. Idealizadora do @ProIndigenas e co-idealizadora do boletim #IndígenasECovid19

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