Connect with us

Europa

Homenagem à Divisão Azul: Espanha investigará discursos antissemita em comício neonazista

O Ministério Público solicitou relatórios à Delegação do Governo e à polícia

Isabela Afonso

Published

on

A Procuradoria Provincial de Madri investigará o discurso antissemita, feito no último sábado (13), em homenagem à Divisão Azul – a unidade militar enviada pelo ditador Francisco Franco à Rússia em apoio a Hitler. Durante o evento, que contou com a presença de cerca de 300 pessoas, vestidas com símbolos e bandeiras nazistas e neofascistas, uma jovem afirmou: “O inimigo será sempre o mesmo, embora com máscaras diferentes, o judeu. Porque nada é mais certo do que esta afirmação: o culpado é o judeu ”. O Ministério Público espanhol entende que falas como esta podem constituir um crime contra o exercício dos direitos fundamentais e das liberdades públicas. 

A Federação das Comunidades Judaicas da Espanha (FCJE), que representa os judeus espanhóis, solicitou ao Ministério Público que investigue o caso. “É inaceitável que tais manifestações anti-semitas graves fiquem impunes”, disse Isaac Benzaquen, chefe da Federação. Além disso, o Conselheiro de Justiça da Comunidade de Madri, Enrique López, solicitou a abertura de uma investigação, após ter manifestado sua “máxima condenação”. 

A embaixadora israelense na Espanha, Rodica Radiam Gordon, também expressou sua indignação em um tweet dizendo que “as declarações antissemitas feitas no tributo de Madri à Divisão Azul são nojentas e não podem ter lugar em uma sociedade democrática”.

No documento de abertura do processo, o Ministério Público anunciou a nomeação de uma procuradora da seção de Ciberodio, da Procuradoria Provincial de Madri, que buscará provas “adequadas para determinar, esclarecer e especificar os supostos delitos” que constam nas informações publicadas.

O Ministério Público solicitou à Delegação do Governo da Comunidade de Madri que lhe forneça todas as informações que dispõe sobre o edital “e, se for caso, sobre a autorização da referida marcha/ concentração /manifestação”. A Brigada Provincial de Informação também foi intimada a informar sobre “os slogans, faixas, resenhas de slogans, bandeiras expostas, incidentes, presença de grupos violentos durante o ato” e qualquer outra ação que possa constituir crime.

O ato, que consistia em uma marcha ao cemitério de La Almudena, não foi proibido, segundo fontes da Delegação do Governo, pela convocação ter atendido às limitações do direito de reunião impostas em função da pandemia. “Na qualidade de representante do Governo da Espanha, desejo expressar minha mais profunda condenação pelas intoleráveis ​​declarações feitas naquela marcha, que serão objeto de investigação a pedido do Governo”, disse o delegado do Governo em Madri, José Manuel Frank.

Comunidade judaica na Espanha

Pelo menos 200.000 judeus espanhóis foram forçados ao exílio pelo rei Ferdinand e pela rainha Isabel, em 1492. Conhecidos como sefarditas – um termo hebraico para judeus de origem espanhola – muitos fugiram para o Império Otomano ou para o norte da África e, mais tarde, para a América Latina.

Hoje, a comunidade judaica na Espanha soma cerca de 40.000 pessoas, segundo fontes comunitárias.

*com informações de The Times of Israel e El País

Aproveitando o ensejo….
Aqui na Fonte BR, trabalhamos muito para entregar para vocês informações de qualidade amparadas unicamente na realidade dos fatos. Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você?
Clique aqui e seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo.

Jornalista e comunicadora, Isabela é apaixonada por jornalismo, política e bons livros. Atualmente, é mestranda em Comunicação e Consumo pela ESPM-SP.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escolha a Fonte!

Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você? Seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo. 

X