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Indígenas

Aruká Juma, último guerreiro de seu povo, falece em decorrência da Covid-19 em Rondônia

Aruká estava internado no Hospital de Campanha de Porto Velho, onde veio à óbito na manhã desta quarta; ele deixa três filhas

Karibuxi

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Amoim Aruká Juma, último homem do povo Juma, do Sul do Amazonas, faleceu por complicações da Covid-19. Ele foi transferido do Hospital de Humaitá (AM) para o Hospital de Campanha de Porto Velho onde ficou internado até então. Aruká faleceu às 9h (10h no horário de Brasília) desta quarta-feira. O corpo será levado para o Amazonas onde será velado e sepultado em sua aldeia, no município de Canutama.  Aruká deixa três filhas: Mandeí Juma, Maitá Juma e Borehá Juma, que é cacica.

O povo Juma tinha uma população estimada de 15 mil pessoas até o início do século XX. Vítimas de inúmeros massacres e invasões de seu território, por comerciantes e seringueiros, os Juma chegaram a população de 5 pessoas em 2002. Aruká foi sobrevivente do último massacre ocorrido contra os Juma em 1964, no município de Tapauá (AM). Contratados por comerciantes do município, os membros do grupo de extermínio relataram “atirar nos Juma como se atirassem em macacos”. Os corpos serviram de comida para porcos do mato, e também foram vistos por ribeirinhos da região. No final da década de 80 a luta de Aruká pelo território Juma foi reconhecida e em 2004 a TI Juma foi homologada.

Para que o povo não desaparecesse, as filhas de Aruká se casaram com membros do povo Uru-Eu-Wau-Wau, povo também de língua Tupi-Kagwahiva, do estado de Rondônia.

Considerados de recente contato, os Juma estavam inclusos entre os povos a serem protegidos por Barreiras Sanitárias, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Porém, o Governo Federal apenas afirmou que iria instalar um posto de controle na BR-230, sem comprovação de funcionamento.

Em nota, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) ressalta a cobrança das organizações indígenas para que o Governo Federal fizesse valer a instalação das Barreiras Sanitárias e também o responsabiliza pela morte de Aruká Juma: “Se o posto de acesso funcionou ou não, como vinha representantes da COIAB e APIB cobrando há meses nas Salas de Situação com o Governo Bolsonaro, já não importa mais para Aruká. O que se sabe, comprovadamente, é que ele agora está morto. É tristemente com seus mortos que os povos indígenas comprovam seus apelos. A COIAB e APIB avisaram que os povos indígenas de recente contato estavam em extremo risco. O último homem sobrevivente do povo Juma está morto. Novamente, o governo brasileiro se mostrou criminosamente omisso e incompetente. O governo assassinou Aruká. Assim como assassinou seus antepassados, é uma perda indígena devastadora e irreparável.”

Segundo dados da COIAB, são 8.674 casos confirmados e 252 óbitos por Covid-19 no Amazonas e 2.157 casos confirmados e 37 óbitos em Rondônia.

*com informações da COIAB

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Comunicadora indígena. Povos indígenas e direitos indígenas. Idealizadora do @ProIndigenas e co-idealizadora do boletim #IndígenasECovid19

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