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Ásia

Golpe em Mianmar: Suu Kyi recebe mais uma acusação

Aung San Suu Kyi foi acusada primeiramente de importar walkie-talkies ilegalmente e não é vista desde sua prisão

Ady Ferrer

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A líder da Liga Nacional pela Democracia em Mianmar, Aung San Suu Kyi, presa durante a instauração do golpe militar do dia 1° de fevereiro, foi acusada de violar leis de restrição contra a covid-19, segundo seu advogado, Khin Maung Zaw. A punição máxima é de 3 anos de cadeia.

Ela foi acusada inicialmente de importar e utilizar walkie-talkies de forma ilegal e deveria ter se apresentado ao juiz na segunda-feira, mas sua prisão foi estendida até amanhã, 17. Khin Maung Zaw teme que a nova acusação estenda mais ainda o tempo em que Suu Kyi ficará presa dentro de sua casa. O governo golpista já retirou alguns direitos civis há apenas 3 dias.

O advogado também disse que não vê Suu Kyi desde sua prisão. Na audiência de hoje, o juiz teria conversado com Suu Kyi por videoconferência e os advogados não puderam estar presentes. A próxima audiência está marcada para o dia 1° de março.

Procurados pela polícia

O governo expediu um mandado de prisão contra 17 membros do Parlamento de Mianmar democraticamente eleitos. Todos membros da Liga Nacional pela Democracia e do Comitê Representando Pyidaungsu Hluttaw (CRPH), formado após o golpe por parlamentares eleitos que foram impedidos de tomar posse no dia 1° de fevereiro. Eles foram enquadrados no Artigo 505 [b] do Código Penal, que trata de incitação à desordem pública.

Protestos continuam

Desde o dia 2 de fevereiro, opositores ao golpe tomam as ruas do país exigindo a liberação de Aung San Suu Kyi e a volta do governo democraticamente eleito. Hoje, 16, manifestantes bloquearam a passagem de trens entre Yangon, a maior cidade do país, e Mawlamyine.

“O poder é do povo, nos devolva”

Manifestantes protestarem em frente ao Banco Central de Mianmar, em Yangon, após especulação online de que o Exército estaria recebendo dinheiro para o golpe. Uma das campanhas de desobediência civil promovidas é o boicote às empresas ligada aos militares. Monges budistas também saíram às ruas.

Militares seguem negando golpe

O governo militar afirma que eleições gerais vão acontecer e que irá ceder o poder ao vencedor, no entanto ainda não confirmou nenhuma data. O golpe e as prisões do dia 1° de fevereiro tiveram como justificativa supostas fraudes nas eleições parlamentares de 2020, vencida majoritariamente pela Liga Nacional pela Democracia.

O Brigadeiro Zaw Min Tun, em pronunciamento ao vivo pelo Facebook, plataforma banida pelo Exército em Mianmar, disse que os presos não estão realmente presos e sim na segurança de suas casas. Min Tun também disse que espera que suas declarações acalmem as ruas:

“Nós esperaremos pacientemente. Depois disso, nós agiremos de acordo com a lei” – disse

Resposta do exterior

O golpe gerou respostas negativas de países do ocidente. Os Estados Unidos levantaram sanções contra os militares de Mianmar. Membros do Conselho de Segurança da ONU pediram a liberação imediata de Aung San Suu Kyi e outros líderes da LND.

A China, no entanto, tem recebido críticas. Manifestantes chegaram a protestar em frente à Embaixada da China, em Yangon, exigindo que o vizinho se posicionasse contra o golpe. Hoje, o embaixador chinês Chen Hai disse que os rumores de que o país estaria apoiando o golpe é “completamente absurda”.

“O que aconteceu em Mianmar não é o que a China quer ver. Nós esperamos que todos os partidos de Mianmar possam lidar com as diferenças propriamente dentro da estrutura da constituição e leis e mantenham a estabilidade política e social” – disse

Chen Hai também afirmou que a China pretende manter relações amigáveis com o governo militar e o anterior e que o país ainda não foi “informado antecipadamente da mudança política”.

*com informações de AP News, Reuters, [2], Global Times e The Irrawaddy

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Jornalista formada pela UCPel-RS, especialista em Relações Internacionais pela UnB e pós-graduanda em Cinema e Audiovisual pela Belas Artes de São Paulo. Podcaster no MIDcast política, #AdyNews e SulCast.

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