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Brasil

Chumbo grosso

Não importa que estados que tem maior sucesso no controle de armas tem também maior sucesso em redução de homicídios por arma de fogo, seja em número absolutos ou em participação do total.

Julio Ponce

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Bolsonaro fez de novo. Como se não bastassem as constantes declarações a favor do armamento, Bolsonaro mais uma vez flexibiliza o porte de armas. Já passam de 20 decretos e outros atos normativos. Já tivemos flexibilização de quem pode ter armas, aumento da munição permitida para cada um, aumento do número de armas que cada pessoa pode ter registrada, e novo aumento de número de armas, essa semana.

Não parece importar que os homicídios por arma de fogo representem 72% do total. Não importa que estados que tem maior sucesso no controle de armas tem também maior sucesso em redução de homicídios por arma de fogo, seja em número absolutos ou em participação do total. Não importa que crimes por arma de fogo também estejam associados a situações de entretenimento, com alto uso de álcool (e, portanto, imaginar que seriam usadas de forma cautelosa é excesso de otimismo).

Muitos ainda se escoram na justificativa de que é necessário se proteger, principalmente de crimes contra a propriedade. No entanto, estudos do IPEA apontam que essa hipótese não se sustenta. O aumento de armas não resulta em menos crimes exitosos contra a propriedade, mas 1% de aumento de armas resulta em 2% no aumento de homicídios. O Prof. Thomas Conti já havia apontado, em estudo com 61 artigos, que a maior parte das evidências científicas não apontam para uma redução de crimes com aumento de armas circulando, muito pelo contrário. Cabe lembrar que pelo menos um terço das armas nas mãos da criminalidade se originaram de solicitações legítimas de cidadãos.

E tudo isso na esteira das flexibilizações que esvaziam o Estatuto de Desarmamento. Estima-se que essa Lei tenha sido responsável por salvar 160 mil vidas, das quais 113 mil de 15 a 29 anos, com o número de armas caindo quase à metade após a promulgação. Tudo isso mudou com a chegada de Bolsonaro ao poder.

Saídas como o registro de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores), que permite regras diferenciadas para a aquisição e registro de armas, parecem ter sido adotadas em massa pelos entusiastas de armas. Em 2014 foram 9 mil registros; em 2019, 148 mil (um salto de 1500%). O número de registros de armas triplicou desde 2018.

Nada disso deveria vir como surpresa, em especial para um presidente que já declarou ter especialidade em matar, fez apologia à violência e conta com apoiadores que aparentemente forjam atentados para justificar acesso a armas. Em um momento em que tantos morrem, Bolsonaro parece querer achar mais formas de colocar em risco a população. Terá, finalmente, sua pátria armada, Brasil.

Aproveitando o ensejo….
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bacharel em Ciências Moleculares e Farmácia Bioquímica, mestre em Fisiopatologia Experimental e Doutor em Epidemiologia, todos pela USP.

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