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América Latina

Peru: Enquanto país bate recorde de casos, ex-presidente e Ministros furam fila da vacina contra a Covid-19

“Vacinas de cortesia”: Autoridades do Peru furam fila da vacina contra covid-19. O país é um dos mais atingidos pela pandemia.

Karla Burgoa

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Com sistema de saúde colapsado e com umas das taxas mais altas de mortalidade por covid-19 do continente, o Peru virou palco de escândalo envolvendo seus governantes e imunizantes contra a doença. Em plena pandemia, os peruanos descobriram no domingo (14), que várias autoridades do governo conseguiram se vacinar discretamente, quando o imunizante ainda não estava nem mesmo disponível para o público.

O escândalo, que ficou conhecido como “Vacunagate”, ganhou notoriedade no país depois que foi confirmado neste fim de semana que o ex-presidente Martín Vizcarra recebeu secretamente uma vacina contra covid-19 no mês de outubro, quando ainda estava no poder.

A confissão do ex-presidente gerou indignação em um dos países mais atingidos pela pandemia, com mais de 43 mil mortes, também às vésperas das eleições presidenciais convocadas para abril. As autoridades sanitárias estão investigando a administração das chamadas “vacinas de cortesia” pela estatal chinesa Sinopharm, enquanto ministros e altos funcionários reconheceram que foram imunizados sem divulgação.

Uma das últimas figuras políticas afetadas pelo escândalo foi a chanceler Elizabeth Astete, que renunciou na noite de domingo após admitir que foi vacinada com a primeira dose no dia 22 de janeiro sem avisar o atual presidente, Francisco Sagasti.

Astete foi vacinada com uma dose que chegou em setembro com a remessa destinada a um ensaio clínico da empresa farmacêutica. Foi “uma decisão errada que eu não avaliei na época”, escreveu a agora ex-ministra em um comunicado que compartilhou no Twitter. Astete fez parte da equipe de negociação responsável pela compra da vacina, que na primeira semana de janeiro culminou com a assinatura do contrato com a Sinopharm.

A renúncia ocorreu dois dias após a renúncia da ministra da Saúde, Pilar Mazzetti, em face da tempestade gerada pela vacinação de Vizcarra e sua esposa. No sábado, ela foi substituída por Óscar Ugarte, que em uma entrevista relatou que vários funcionários – incluindo dois vice-ministros da pasta da Saúde – foram imunizados em setembro. Seu departamento encomendou uma investigação para determinar o número de pessoas que aceitaram as doses de “cortesia”.

Luis Suárez, um dos ex-vice-ministros envolvidos, também renunciou no sábado (13) . Em nota divulgada na noite de domingo, ele explicou que os pesquisadores da Sinopharm relataram que “como em outros países onde são realizadas pesquisas de fase III, eles disponibilizaram a vacina candidata [que ainda está em teste] com a possibilidade de proteger a equipe responsável pela realização a resposta à pandemia e seu ambiente direto ”.

Segundo o programa de televisão Cuarto Poder, o investigador chefe do ensaio clínico em Lima, Germán Málaga, da Universidade Peruana Cayetano Heredia – centro privado – decidiu a quem administrar as doses extras, além das utilizadas pelos membros da equipe que estava em contato com os voluntários do estudo. Essas doses chegaram a 400.

Na noite do último sábado, um comunicado da instituição declarou que Vizcarra não fazia parte dos 12.000 voluntários que participaram do ensaio. O ex-presidente e atual candidato ao Congresso respondeu no Twitter que lhe causou “grande surpresa” não aparecer no registro de voluntários.

O político afirmou ainda que não divulgou a inoculação da vacina porque “isso prejudicaria o desenvolvimento normal do ensaio experimental”. No entanto, as críticas que recebeu do presidente Sagasti, da nova ministra da Saúde e da presidente do Congresso, Mirtha Vásquez, apontam para a falta de transparência do ex-chefe de Estado por ter se beneficiado de um produto de uma empresa cuja administração teria negociações de compra de milhões de dólares.

“Sinto, no mínimo, desconforto. Os recursos estão sendo usados ​​fora das normas. É algo que nunca deve ser repetido. Quem foi vacinado fica de fora ”, disse o ministro Ugarte, citando a ordem do presidente Sagasti. O presidente questionou seu antecessor. “É grave que o ex-presidente tenha tentado justificar algo inaceitável. Estou indignado e furioso, porque põe em risco os esforços de muitos peruanos na linha de frente contra o covid-19. Ainda não consigo entender que algumas autoridades não tenham levado em conta essa situação ”, disse o presidente.

Segundo o jornal La República, pelo menos cinquenta funcionários de alto escalão se beneficiaram com a vacina. Todos eles pertencem aos Ministérios da Saúde e Relações Exteriores.

O Ministério Público Nacional informou que abrirá inquérito contra Vizcarra e os responsáveis ​​pela gestão das chamadas “doses de cortesia” do Sinopharm. A Universidade Cayetano Heredia, em outro comunicado divulgado na noite de domingo, garantiu que em setembro recebeu dois lotes de vacinas experimentais: um para o ensaio clínico e outro “para 3.200 doses a serem administradas voluntariamente à equipe de pesquisa e pessoal vinculado ao estudo”. Neste último caso, observa o centro, eles não iriam manter um registro.

*com informações de La Republica

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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