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Europa

Cerca de 300 neonazistas se manifestaram em Madri para homenagear os mortos da Divisão Azul

Marcha em apoio aos espanhóis que lutaram sob o comando de Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial foi condenada pelas comunidades judias da Espanha

Isabela Afonso

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Cerca de 300 pessoas marcharam por Madri, no último sábado (13), até o cemitério de Almudena para homenagear a Divisão Azul, os espanhóis que lutaram contra a União Soviética, sob o comando de Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial. O evento foi convocado pela Juventud Patriota, uma organização neonazista madrilena e contou com o apoio de diferentes grupos nazistas e fascistas, como o partido España2000 ou La Falange, cujo líder nacional, Manuel Andrino, participou da marcha.

Todos os anos, nesta data, grupos nazistas de toda a Espanha se reúnem em Madri para realizar a marcha, que coincide com o aniversário da Batalha de Krasny Bor, na qual participou a divisão espanhola que esteve a serviço do nazismo. 

O ato percorreu várias ruas de Madri atrás de uma faixa com o escudo da Divisão Azul e a legenda “Honra e glória aos mortos”. Os manifestantes formaram um corredor do cemitério até o monumento que lembra a Divisão Azul, fizeram a saudação nazista e cantaram canções fascistas.

O evento contou com um serviço religioso em frente ao monumento que lembra a Divisão Azul de Almudena, no qual foi colocada uma coroa de flores com uma suástica nazista. O padre dirigiu-se aos presentes da seguinte forma: “O marxismo, como no passado […] continua a tentar perturbar a paz da nossa sociedade, perturbar a paz dos espíritos e, sobretudo, remover o príncipe da paz, nosso Senhor Jesus Cristo”.

Uma manifestação inadmissível

A organização que representa os judeus espanhóis considera “inadmissível que em um estado de direito e em plena democracia essas graves manifestações fiquem impunes” e lembra que a Espanha aderiu à Aliança Internacional em Memória ao Holocausto em julho de 2020, “que considera como anti-semitismo acusar os judeus como um grupo de serem culpados de qualquer evento”. A Federação das Comunidades Judias da Espanha (FCJE), a Plataforma contra o Antissemitismo e o Movimento contra a Intolerância garantem que agirão “com todos os instrumentos legais” ao seu dispor para punir esses atos.

A embaixadora de Israel na Espanha, Rodica Radian-Gordon, escreveu em um tweet que “as manifestações antissemitas feitas na marcha de Madri à Divisão Azul são nojentas e não podem ser aceitas em uma sociedade democrática. Educar e aprender a verdade sobre a história é a forma de evitar que o passado se repita ”, completa.

Pandemia em negacionismo

Um dos palestrantes durante o ato foi Ignacio Menéndez, advogado do extremista de direita Carlos García Juliá, co-autor dos assassinatos dos advogados de Atocha, em 1977,  recentemente liberado da prisão. Com o microfone na mão, pediu aos presentes que não cumprissem as medidas de saúde contra a COVID-19: “Vocês precisam violar o toque de recolher, reúnam-se com suas famílias e amigos (…) e que vocês se abracem, cantem e vivam com alegria. Porque fascismo é alegria ”.

De fato, muitos dos participantes não usaram a máscara obrigatória ou mantiveram a distância de segurança regulamentar. Apesar de ter sido convocada, a Delegação do Governo não impediu o ato, nem houve presença policial durante a marcha até ao cemitério de Almudena.

*Com informações de La Marea e El País.

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Jornalista e comunicadora, Isabela é apaixonada por jornalismo, política e bons livros. Atualmente, é mestranda em Comunicação e Consumo pela ESPM-SP.

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