Connect with us

América Latina

Peru: Indígenas temem chegada da variante brasileira da COVID-19 e exigem medidas do governo

Em dois meses, o número de indígenas amazônicos infectados com COVID-19 no país aumentou 62%, de 23.221 casos positivos para 37.726.

Karla Burgoa

Published

on

As organizações indígenas da Amazônia se manifestaram a respeito da confirmação pelo Ministério da Saúde da entrada da variante brasileira da COVID-19 no Peru. Através de uma declaração emitida na segunda-feira (08), eles exigem medidas imediatas para que a situação alarmante vivida pelos povos indígenas com a pandemia não se agrave.

As comunidades indígenas já vinham alertando sobre a entrada dessa variante em seus territórios um mês antes, e no dia 8 de janeiro, enviaram carta ao gabinete do Ministro da Saúde por meio do Comando Indígena Covid de Loreto, onde solicitaram medidas sanitárias urgentes; no entanto, eles não receberam nenhuma resposta.

“Denunciamos à opinião pública que em menos de um mês boa parte do território de Loreto passou de risco epidemiológico moderado a risco extremo. Sua tríplice fronteira está sendo a porta natural da variante brasileira para o Peru e outras possíveis por vir. O departamento também tem a trágica peculiaridade de, além do flagelo da COVID-19, ter sido atingido por uma prolongada epidemia de dengue tão prejudicial quanto a própria pandemia, circunstância que Lima parece desconhecer ” afirmam em declaração.

Expressaram também o seu desconforto pelo desmantelamento do sistema de promotores comunitários de saúde, pois durante muitos anos foram “a chave de promoção e prevenção nas comunidades rurais e o elo mais tangível de muitas comunidades com o serviço de saúde”. Também lamentaram que as operações da brigada móvel do Plano de Saúde da Amazônia tenham sido suspensas em dezembro.

“Exigimos coerência do Estado: a declaração de extremo risco da secretaria que vem sendo feita deve vir acompanhada de medidas complementares específicas e proporcionais para lidar com o problema de forma eficaz”, acrescentam.

Também ressaltaram que “as populações indígenas são altamente vulneráveis ​​à pandemia, que sofremos desproporcionalmente sua gravidade em 2020 e que é obrigação do Estado proteger nossas vidas e culturas como uma prioridade, expressão de um patrimônio vivo e insubstituível que enriquece o país inteiro ”.

A declaração é assinada pelo Comando Indígena Covid de Loreto, a Organização Regional dos Povos Indígenas do Oriente (Orpio), a Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep) e a Confederação das Nacionalidades Amazônicas do Peru.

Povos indígenas infectados

Em dois meses, o número de indígenas amazônicos infectados pela COVID-19 no Peru aumentou em 62%, de 23 221 casos positivos para 37 726. Os dados são revelados no relatório do portal Vigilante Amazonico que aponta registros de casos entre 21 de novembro de 2020 e 26 de janeiro de 2021.

Além disso, indicam que agora não há mais 8, mas 14 povos indígenas que concentram 97% do número total de COVID-19 positivos, cada um registrando mais de 500 casos.

Com informações de Vigilante Amazonico

Aproveitando o ensejo….
Aqui na Fonte BR, trabalhamos muito para entregar para vocês informações de qualidade amparadas unicamente na realidade dos fatos. Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você?
Clique aqui e seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo.

Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escolha a Fonte!

Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você? Seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo. 

X