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Ásia

Golpe em Mianmar: protestos continuam após polícia atirar em manifestante

Uma adolescente de apenas 19 anos foi baleada na cabeça em um protesto contra o golpe militar em Mianmar

Ady Ferrer

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Os protestos nas ruas das cidades de Mianmar contra o golpe militar, instituído no dia 1° de fevereiro, crescem – e ficam mais violentos – a cada dia. O país enfrenta também uma greve geral, organizada por médicos, trabalhadores do governo e professores.

No domingo, 7, a mídia estatal do país já tinha sinalizado a possibilidade do uso de violência contra os manifestantes. E a terça-feira foi o dia de maior violência nas ruas de Naypyido, capital do país . Três pessoas foram atingidas com o que aparentam ser balas de borracha. Pelo menos 27 pessoas foram presas.

Mya Thwate Khaing, de apenas 19 anos, foi baleada na cabeça e está em estado grave. Segundo testemunhas, a polícia teria atirado para cima para dispersar. A Human Rights Watch denunciou que um outro homem de 20 anos também está ferido, mas estável no hospital. O Exército afirmou, em nota, não utilizar armas letais, mas durante a própria nota confirmou que o tiro foi “inevitável”.

Os protestos são os maiores desde 2007, quando o país enfrentou a revolução dos monges.

Novas eleições e toque de recolher

O Exército impôs um toque de recolher em Yangon e Mandalay, das 20h às 4h, para tentar impedir novos protestos.

O general Ming Aung Hlaing, em pronunciamento no domingo, 7, na televisão, afirmou que novas eleições vão ser realizadas, mas não deu uma estimativa de data. A junta militar informou, no entanto, que o estado de emergência deve durar 1 ano.

“Nós teremos uma eleição multipartidária e nós vamos entregar o poder àquele que ganhar essa eleição, de acordo com as regras da democracia”

Aung Hlaing também acusou o comitê eleitoral de usar a pandemia da COVID-19 como desculpa para não organizar eleições “justas”.

Pandemia

O caos político afetou a resposta de Mianmar à covid-19. O número de testes realizados na primeira semana do golpe foi de apenas 1.987. Uma semana antes, tinham sido realizados mais de 9 mil testes. Apenas 4 pessoas foram diagnosticadas com a doença, contra 420 na última semana de janeiro.

Em nota, o Ministério da Saúde pediu para que os profissionais da saúde voltem ao trabalho e ajudem na campanha de vacinação em massa.

*com informações de Reuters, [2], [3]

Jornalista formada pela UCPel-RS, especialista em Relações Internacionais pela UnB e pós-graduanda em Cinema e Audiovisual pela Belas Artes de São Paulo. Podcaster no MIDcast política, #AdyNews e SulCast.

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