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Ásia

EXCLUSIVO | Jornalista em Mianmar fala para a Fonte sobre o golpe no país

Ele também acrescenta que um cenário de tensões como o que acontece agora eles só haviam vivido no ano de 2007, quando protestos contra o governo ficaram conhecidos como a Revolução Açafrão.

Nathália Rocha Matos

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Como a Fonte BR trouxe na última segunda-feira, Mianmar, país no sudeste asiático, sofreu um golpe de estado no primeiro dia deste mês.

No início da manhã do dia 1 de fevereiro as forças armadas do país assumiram o controle do governo após prender a vencedora de um Prêmio Nobel da Paz e líder que havia sido eleita democraticamente, Aung San Suu Kyi, além dos membros de seu partido, Liga Nacional pela Democracia (NLD). Segundo os militares essa ação teria sido motivada por entenderem que as eleições de novembro haviam sido fraudadas, o que, para eles, justificaria então decretar estado de emergência e passar o poder ao chefe militar e general Min Aung Hlaing durante um ano. 

 No contexto geral, Mianmar, também conhecida como Burma, vinha conseguindo manter o regime democrático no país há anos e, com o golpe, essa tendência pode desestabilizar todos esses esforços que também vêm sendo apoiados pelo Ocidente. 

Nos últimos dias, por exemplo, mesmo após o ocorrido, o presidente norte-americano, Joe Biden, se manifestou sobre a situação do país e pediu para que os militares “renunciem ao poder que confiscaram”, em uma manifestação de apoio ao reestabelecimento da democracia. 

Veja também: O que você precisa saber sobre a líder de Mianmar presa após golpe de Estado

Em entrevista exclusiva para a Fonte BR, o jornalista premiado de Mianmar, Mratt Kyaw Thu, declarou que, apesar das tensões causadas pela decepção dos militares com o resultado das eleições, a população não esperava que a situação, de fato, se tornasse realidade. Ele também comenta que são fake News os rumores de que o golpe seria fruto de uma intervenção da China no país. 

De forma oficial a primeira reação chinesa ao golpe foi uma manifestação do ministro de relações exteriores do país que declarou estarem cientes sobre a situação e que irão aguardar até que tenham mais informações. Em entrevista ao The Diplomat, o co-diretor do Programa Ásia Oriental e diretor do Programa China em Stimson Center em Washington, Yun Sun falou que a intervenção em Mianmar não seria de interesse de Pequim, e uma das razões é a o bom relacionamento que a China mantém com a Liga Nacional pela Democracia (NLD). Nesse sentido, ainda hoje, uma semana após o ocorrido os rumores continuam tendo lugar dentro do tema.

Quando perguntado sobre o dia do ocorrido, Mratt nos conta que até ele ter notícia do que estava acontecendo se passaram 4 horas.

“Eu não sabia o que fazer, se deveria falar com minha mãe ou meus amigos, porque eu nunca tinha tido essa experiência.”, conta Mratt

 Ele também acrescenta que um cenário de tensões como o que acontece agora eles só haviam vivido no ano de 2007, quando protestos contra o governo ficaram conhecidos como a Revolução Açafrão. 

A quase uma semana do ocorrido Mratt diz que não sente medo e que, como jornalista, temia que isso poderia acontecer. No entanto, assim que os militarem assumiram o poder, vôos foram cancelados, a internet foi cortada em alguns momentos e os canais de televisão de entretenimento são os únicos que estão funcionando normalmente.

Apesar da mídia continuar tentando realizar seu trabalho, as instabilidades com a internet e o fato dos noticiários estatais não estarem mostrando os protestos contra o golpe, faz com que esse trabalho seja prejudicado, o que leva a desinformação no país e no mundo sobre o que está acontecendo em Mianmar. 

Segundo Mratt, parte da população ainda está tentando compreender o que está acontecendo. Ainda assim, os protestos já se espalham por todo o país, tendo também como motivação uma carta deixada por Suu Kyi pedindo para que o povo mianmarense não aceite a tomada de poder pelos militares.

Veja a entrevista na íntegra:

Jornalista com experiências acadêmicas nos diversos campos do jornalismo, audiovisual, mídia impressa e digital. Coordenadora de atividades da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo e Produtora de Conteúdo para a agência de consultoria NEXTT 49+.

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