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América Latina

Campanha eleitoral no Equador é marcada por uso massivo de bots e fake news

A estratégia usada no Equador não é nova. “é quase uma cópia do que ocorreu na Bolívia”, no golpe ocorrido em 2019

Karla Burgoa

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O Equador se junta aos países que enfrentam eleições presidenciais em uma pandemia, em 7 de fevereiro, com medidas de biossegurança sem precedentes e um novo sistema de votação. Com 16 candidatos e um número muito alto de indecisos, a eleição é disputada entre o correista Andrés Arauz, o direitista Guillermo Lasso e o líder indígena Yaku Pérez.

Os candidatos apressaram na quinta-feira as últimas horas de uma longa campanha – já durou mais de 40 dias -, intensa e com muito jogo sujo, principalmente nas redes sociais.

O principal favorito nas urnas é Andrés Arauz, o candidato do Correismo ou o que seja, o candidato que Rafael Correa apóia desde o exílio em Bruxelas, que foi presidente do país por uma década e figura onipresente na vida política do Equador.

Desde 2017, Correa teve que se refugiar na Bélgica em meio a acusações de corrupção que não são muito claras, segundo ele, pelas quais a Justiça equatoriana acabou condenando-o a oito anos de prisão e desqualificação por suborno.

Depois de muitas dificuldades, Arauz e os demais candidatos correistas conseguiram se apresentar e agora o candidato é o líder das pesquisas eleitorais nas eleições do primeiro turno.

Quem segue atrás de Arauz nas pesquisas é Guillermo Lasso, um candidato banqueiro, como é conhecido no Equador, por ser dono do banco Guayaquil, entre outros negócios financeiros, como contas offshore.

O terceiro lugar nas pesquisas é de Yaku Pérez, o candidato indígena do movimento Pachakutik, que promete construir no Equador, um “Estado próspero, ecológico, honesto, ético, multinacional e intercultural”.

Apesar de rivais, Lasso declarou na quarta-feira que apoiaria Yaku em um eventual segundo turno, respondendo assim ao próprio Yaku, que já havia dito que preferia um banqueiro a um ditador como presidente do país, se referindo a Arauz.

É lá, na virtualidade, onde se trava uma das disputas desta eleição, e cada um dos dezesseis candidatos presidenciais desenvolve sua estratégia, com diferentes níveis de financiamento. Mas é lá também que se aprofunda uma campanha suja contra o candidato Andrés Arauz, da coalizão UNES, que representa a revolução cidadã, movimento liderado pelo ex-presidente Rafael Correa. Recorrendo a bots e muita fake news, como analisa Julián Macías Tovar, ativista contra desinformação virtual.

A campanha ficou marcada por notícias falsas contra Arauz, realizada “por inúmeros meios de comunicação e jornalistas, além de membros e fundações financiadas desde os Estados Unidos (EUA) por meio da Fundação Nacional para a Democracia. (NED) ou Rede Atlas ” afirma Tovar.

A campanha utiliza, por exemplo, vídeos editados, montagens que buscam mostrar que a Arauz defende a necessidade do Equador deixar de ter uma economia dolarizada, algo que, dentro do país, não tem apoio social majoritário.

Estratégia de mentiras para fraudar eleições foi usada na Bolívia

A estratégia usada no Equador não é nova. “O padrão se repete, é quase uma cópia do que ocorreu na Bolívia”, no golpe ocorrido em novembro de 2019 contra o então presidente Evo Morales. Naquela época, Macías Tovar também fazia uma análise da criação de contas falsas no Twitter e no Facebook que buscavam legitimar a escalada do golpe e a derrubada de Morales.

Existem muitos pontos semelhantes entre os dois casos: “a mídia, as empresas de pesquisa, verificadores oficiais do Facebook, organizações supostamente a favor dos direitos humanos, interferência no órgão eleitoral, uso de notícias falsas contra o candidato, milhares de contas falsas nas redes sociais “

As contas falsas atacam Arauz e espalham o que Lasso transmite. É difícil de mapear com precisão, contudo, na conta de Lasso no Twitter, Macías Tovar descobriu que 258 mil contas que o seguem têm menos de cinco seguidores, ou seja, são “aparentemente falsas”.

O objetivo é instalar e viralizar falsas mensagens sobre Arauz com temas diversos: zombar dele, por exemplo, através do uso do rótulo #Lelo, ou seja, não muito inteligente ou competente para o cargo, para gerar indignação, ou para criar medo em relação ao que significaria um país governado por Arauz.

Cenário eleitoral conta com 16 candidatos a presidência, numero recorde na história do país

Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), os aptos a votar em 7 de fevereiro chegam a 13.099.150 cidadãos, 96,9% dos quais o farão em território equatoriano. O restante, 3,1%, poderá votar de fora do país.

A eleição mais importante do ciclo eleitoral será a dos cargos de presidente e vice-presidente, área em que foram apresentados 16 candidatos, número recorde na história do país sul-americano. Contudo, apesar do número alto de opções, as pesquisas revelam um número significativo de indecisos. De acordo com as pesquisas, o percentual de eleitores que ainda não sabem em quem irão vai votar está entre 30% e 60%.

Com informações de Tremending, Sputnik

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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