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Oriente Médio

Desrespeitando as regras da pandemia, milhares de israelenses participam de funerais em Jerusalém

A aglomeração foi motivada por funerais de dois rabinos proeminentes

Isabela Afonso

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Contrariando a proibição de Israel quanto a grandes reuniões públicas em meio à pandemia do novo coronavírus, milhares de judeus ultraortodoxos participaram de funerais para dois rabinos proeminentes em Jerusalém neste domingo.

O velório do Rabino Meshulam Soloveitchik, que morreu aos 99 anos, seguiu seu caminho pelas ruas de Jerusalém, em uma demonstração de recusa dos ultraortodoxos em respeitar as restrições ao coronavírus.

O fenômeno minou a agressiva campanha de vacinação do país para controlar um surto violento da pandemia e ameaçou, inclusive, ferir o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu nas eleições que ocorrem em março deste ano. Dois israelenses acusaram Netanyahu de não cumprir a lei devido à pressão política de seus aliados políticos ultraortodoxos.

Multidões se reuniram do lado de fora da casa do rabino, ignorando as restrições a reuniões ao ar livre de mais de 10 pessoas e, em sua maioria, não usavam máscaras. Os policiais bloquearam cruzamentos para permitir a passagem dos participantes, mas isso não foi suficiente para contê-los.

A mídia israelense disse que Soloveitchik, um importante estudioso da religião que chefiou vários seminários conhecidos, sofreu recentemente de COVID-19.

Mais tarde no domingo, uma multidão também compareceu ao funeral de outro rabino respeitado, Yitzhok Scheiner, mais uma vez infringindo as regras de bloqueio. Scheiner, 98, também morreu de COVID-19, segundo relatórios.

Recentemente, Israel tem apresentado uma média de mais de 6.000 casos confirmados do novo coronavírus a cada dia, uma das maiores taxas de infecção no mundo. Ao mesmo tempo, Israel já vacinou mais de 3 milhões de cidadãos, também uma das taxas per capita mais altas do mundo.

Especialistas em saúde afirmam que pode levar várias semanas para que a campanha de vacinação tenha um efeito nas taxas de infecção e hospitalização. O Gabinete Israelense votou no final de domingo para estender o lockdown até pelo menos sexta-feira, tendo a chance de prorrogar por mais dias. O governo impôs restrições ao tráfego de pessoas e fechou escolas e negócios não essenciais no mês passado em um esforço para conter a pandemia no país.

A comunidade de judeus ultraortodoxos representa cerca de 11% dos 9,2 milhões de israelenses e respondem por cerca de 40% dos novos casos. Mesmo assim, muitas de suas seitas mantiveram escolas, seminários e sinagogas abertos e realizaram casamentos e funerais em massa, violando as restrições impostas que fecharam escolas e muitos negócios em outras partes do país. Diante disso, nas últimas semanas, ocorreram confrontos violentos entre membros da comunidade ultraortodoxa e policiais.

Os líderes ultraortodoxos dizem que foram injustiçados e argumentam que os demais cidadãos não entendem a importância das orações públicas e dos estudos religiosos em sua comunidade. 

Para obter apoio, Netanyahu busca manter uma boa relação com os partidos ultraortodoxos. Inclusive, críticos dizem que ele se recusou a contrariar seus aliados antes das eleições. Sem o apoio ultraortodoxo, será extremamente difícil para Netanyahu formar uma coalizão governamental, principalmente enquanto ele busca imunidade em um julgamento de corrupção que está em andamento.

Em contrapartida, essa aliança não tem trazido só bons frutos como o Primeiro-Ministro imaginava. Uma pesquisa realizada na última semana indicou que mais de 60% dos israelenses não querem que partidos ultraortodoxos sirvam na próxima coalizão.

Os funerais de domingo aconteceram um dia depois que a polícia usou um canhão de água para dispersar os manifestantes anti-Netanyahu perto da residência do Primeiro-Ministro. A mídia israelense mostrou a polícia aplicando multas às pessoas que violaram o bloqueio em Tel Aviv, gerando acusações de que a polícia estava seguindo critérios divergentes. 

*Com informações de ABC News

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Jornalista e comunicadora, Isabela é apaixonada por jornalismo, política e bons livros. Atualmente, é mestranda em Comunicação e Consumo pela ESPM-SP.

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