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Ásia

Quirguistão: com Japarov no poder, prisões de cunho político se iniciam rapidamente

Os oponentes do novo governo já têm sofrido perseguições e prisões.

Isabela Afonso

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Com a eleição de Sadyr Japarov, iniciou-se uma série de prisões com viés político aumentou consideravelmente e não há grande esforço das autoridades para amenizar os rumores de um possível acerto de contas.

Aqueles que, agora, estão presos são os mesmos que estavam no poder quando Japarov foi preso sob a acusação de sequestro em 2017.

Em 25 de janeiro, a Procuradoria Militar anunciou que o ex-chefe do Comitê Estadual de Segurança Nacional, conhecido por suas iniciais em russo, GKNB, havia sido colocado sob custódia. Abdil Segizbayev está sendo investigado por abuso de poder, segundo os promotores.

As acusações estão ligadas ao Belizegate, um caso de corrupção que ocorreu em 2016 no Quirguistão. Os alvos da investigação, liderada por Segizbayev, foram Omurbek Tekebayev e outros políticos da oposição. O ex-procurador-geral Aida Salyanova e o ex-ministro da Justiça, Almambet Shykmamatov, são acusados ​​de serem coniventes em um caso que envolvia ganhar dinheiro em um negócio suspeito no ramo das telecomunicações.

Todo o caso parecia muito dúbio desde o início. As provas eram fracas, incluíam documentos supostamente fornecidos pelas autoridades de Belize, que atestavam algumas das transações suspeitas.

A verdadeira intenção aqui, entretanto, era, pelo visto, derrubar políticos que se opunham às reformas constitucionais que estavam sendo propostas pelo então presidente, Almazbek Atambayev.

Os investigadores agora estão sugerindo que Segizbayev simplesmente falsificou os documentos, uma afirmação que pode ser duvidosa. 

Sykmamatov entrou com uma queixa criminal contra Segizbayev em 2019, depois que Atambayev estava fora do poder.

No entanto, os promotores rejeitaram a petição, dizendo que não haviam descoberto nenhuma evidência de que um crime havia sido cometido. Agora, aparentemente, isso foi repensado.

Apesar das evidências, Segizbayev acabou de disputar a presidência com Japarov, ainda neste mês, o que torna o momento suspeito.

Além disso, ele pode enfrentar outras acusações, uma vez que a Procuradoria Geral anunciou que estava investigando alegações de que ele havia privatizado ilegalmente terras de propriedade do governo argumentando ser para o desenvolvimento dos locais.

Por outro lado, Segizbayev previu precisamente que tudo isso estava por vir. Mesmo antes da eleição, ele já havia dito que seria preso. 

Vingança, ressentimento e vontade de eliminar a concorrência – essas são as especulações sobre a busca de Japarov em perseguir essas figuras políticas. Entretanto, o discurso segue o viés de uma luta contra a corrupção, uma promessa de campanha do atual presidente. 

Japarov está sendo questionável neste último ponto. Ex oficiais estão sendo resgatados pelas autoridades com frequência, mas algumas das prisões mais proeminentes pareceram ser teatrais. Enquanto os inimigos do governo recebem um tratamento difícil, os aliados em potencial, em contrapartida, têm sido protegidos.

Um exemplo disso foi o que aconteceu com o ex-chefe da alfândega, Rayimbek Matraimov, acusado por ativistas anticorrupção de encher seus bolsos com centenas de milhões de dólares que deveriam ter ido para os cofres do estado.

Matraimov foi preso em 20 de outubro, mas no mesmo dia acabou solto, o que é contraditório frente ao atual cenário em que os novos presos não foram tratados com o mesmo privilégio. 

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Jornalista e comunicadora, Isabela é apaixonada por jornalismo, política e bons livros. Atualmente, é mestranda em Comunicação e Consumo pela ESPM-SP.

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