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Protagonismo indígena em Belo Horizonte

“Estamos aqui para somar para um melhor mundo e um melhor futuro para as gerações futuras.” – Yolis Lyon

Jé Hãmãgãy

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Nesta sexta-feira 22, o Diário Oficial do Município de Belo Horizonte, Minas Gerais, divulgou o resultado das eleições para compor a 5ª gestão no COMPIR/BH, o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial.

Criado em 2010 através da Lei Municipal 9.934, é um órgão que estimula a participação da sociedade civil nas políticas públicas para combater o racismo, xenofobia, discriminação e desigualdades socioeconômicas, políticas e culturais. Em 2021 pela primeira vez, duas mulheres indígenas foram eleitas no segmento “Representantes de outros grupos étnicos: Indígenas”, como conselheiras: Darupū’ūnaTikuna como titular e Yolis Lion, como suplente.

É uma vitória muito comemorada por indígenas de Belo Horizonte e região, pois enfim se cumpre a necessidade de representação indígenas nas linha de frente das próprias demandas, de forma oficial.

“As eleições do Compir BH se deram via edital amplamente divulgado pela PBH e concorremos pela primeira vez ao contestar a representação de uma Federação que estava inativa.”- Eni Carajá, Mestre da Cultura Popular.

Elas representam também a entidade “Comitê Mineiro de Apoio à Causa Indígena”, que estima existirem mais de 6 mil indígenas na região. O CMACI foi criado sem fins lucrativos em 2012, na cidade de Belo Horizonte, pela liderança Avelin Buniacá Kambiwá, reunindo apoiadores da causa e indígenas da região, buscando solucionar as demandas da população em âmbito estadual e divulgar a luta originária.

Darupü’üna Tikuna/acervo pessoal

Darupü’üna é artista da etnia Tikuna, filha do professor, mestre e monitor bilíngue Mepawecü (Reinaldo Otaviano do Carmo) e da professora, artista e pedagoga Mutchique’ena (Hilda Tomaz do Carmo), lideranças influentes em seus territórios. Mora atualmente em Belo Horizonte há mais de 15 anos, mas sempre em contato com seu povo.

“Ser indicada a cargo de conselheira Municipal de Promoção da igualdade Racial pelo Comitê Mineiro de Apoio ás Causas Indígenas é um imenso prazer, pois são várias etnias que fazer parte desse comitê, sao vozes que são silenciadas por esse sistema racista, e ocupar essa Cadeira no Compir é uma forma de fazer ouvir essas vozes silenciadas que de uma forma gritam por direitos iguais, pois somos indígenas dentro e fora do território.” Darupü’üna Tikuna.

Yolis Lyon/acervo pessoal

A líder comunitária Yolis, 37, é da etnia Warao, nascida na Venezuela na comunidade do Barranco de Fajardo. Mãe de três filhos, é artesã, graduada em Comunicação Social e Analista Social do SJMRBH, onde acompanha cidadãos de diversos países como Nigéria, China, Colômbia, Bolívia, Peru, Cuba,Haiti, Venezuela e República Democrática do Congo. Em Minas Gerais o povo Warao é composto de pelo menos 150 indivíduos, incluindo bebês já nascidos em território brasileiro. A candidatura de Yolis nasceu da necessidade das diferentes etnias da RMBH de ter uma representatividade onde se possa levar as necessidades e realidades vividas, seja a âmbito municipal ou até mesmo internacional.

As dificuldades enfrentadas são várias, como falha de acesso às políticas públicas, benefícios e serviços básicos, não reconhecimento de documentos, racismo, xenofobia, violências contra trabalhadores e mulheres e negação de oportunidades no mercado de trabalho e instituições de ensino. A luta é também pela concretização do Centro de Referência Indígena em Belo Horizonte, um espaço para as reivindicações de direitos, promoção artístico-cultural e segurança à integridade.

“Estamos aqui para somar para um melhor mundo e um melhor futuro para as gerações futuras.” – Yolis Lyon

As propostas giram em torno do respeito mútuo à diversidade dos povos indígenas:

-Respeito à cultura
-Respeito à língua materna de cada povo
-Respeito aos trajes típicos
-Respeito à cosmologia e crenças religiosas
-Promoção de seus saberes e artesanatos

Yolis Lyon nos presenteia com um poema de sua autoria, em comemoração a essa conquista inédita e muito importante para a população originária de Belo Horizonte e região.

“A mãe terra não é apenas o único planeta
Onde podemos morar é também nosso lar onde habitar.
O presente de Deus
Nosso universo central
Que temos negligenciado
E de acordo com o tempo destruído
Com guerras e divisão
A mãe terra nos presenteou com plantas e animais que negligenciamos
Esquecendo que precisamos de essas plantas e animais para subsistir
A mãe terra nos fornece também ar, água,sol e chuva que perdemos
Precisamos conscientização e união
de cada um e trabalhemos juntos
Para cuidar dela também
precisamos de harmonia
Para respirar o ar
Olhar o sol contemplar a chuva
E sentir o fogo aquecendo nossos corações.
Sem a mãe terra não tem sentido
A vida porque não existiria raça nenhuma
Que viva a mãe terra que vivam os povos originários que são guerreiros e guerreiras que protegem nossa mãe.”- Yolis Lyon.

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Tenho 23 anos e sou artista indígena, mãe e graduanda em Museologia pela UFMG. Falo sobre cultura, arte, musealização e patrimônio indígena enquanto mulher em contexto rural. Sou membro do Comitê Mineiro de Apoio a Causa Indígena, que visa o bem viver de povos originários do estado.

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