Connect with us

Sem categoria

Países sofrem com intervenção dos direitos da vacina de Oxford

Hoje, a principal consequência da exclusividade das vacinas recai sobre os países mais pobres, que perdem dias tentando negociações com seus orçamentos limitados

Nathália Rocha Matos

Published

on

Logo que deu início às pesquisas necessárias para o desenvolvimento da vacina contra o novo coronavírus, a Universidade de Oxford tinha a expectativa de manter todo esse processo de maneira partilhada, principalmente para que os laboratórios de todo o mundo pudessem ter acesso. E, até o primeiro momento, era essa a intenção quando o senso de urgência se instaurou por todo o mundo em busca da cura para a COVID-19.

No entanto, a Fundação Bill e Melinda Gates interviu neste processo e os direitos da vacina foram vendidos para a biofarmacêutica global, AstraZeneca. A partir da negociação, a Universidade de Oxford não teria qualquer controle sobre os preços realizados, além de não faturar milhões da venda ou obter o grande reconhecimento que a pertencia.

Este também foi o caminho de outras empresas que se dispuseram a desenvolver a vacina. Essas empresas também arrecadaram bilhões de subsídios do governo, acumularam patentes e pouco divulgaram sobre as negociações que fizeram.

Em 2020, até o início do mês de abril a AstraZeneca já havia tido seu valor de mercado aumentado em 25 milhões de dólares. Neste mesmo caminho, a Novavax, que não registrava lucro há duas décadas, durante a pandemia chegou a um valor de mercado de 10 bilhões de dólares a partir de incentivos de organizações sem fins lucrativos e o incentivo de 1 bilhão e 600 milhões de dólares da administração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com o Laboratório Moderna não foi diferente, e também recebeu aporte de 1 bilhão de dólares do governo norte-americano.

Após o acordo exclusivo com a Universidade de Oxford, a AstraZeneca revelou que irá vender as vacinas sem fins lucrativos somente durante a pandemia, uma limitação que também tem sido imposta por outros grandes laboratórios.

Apesar dessa postura demonstrar que não houve qualquer mudança nos padrões das negociações sobre desenvolvimento e consumo das vacinas, em 2017 a Fundação Gates tentou mudar essa situação. Foi quando contribuiu para o lançamento de outra organização não-governamental, a CEPI, Coalização para Inovações de Preparação para Epidemias, um grupo que defendia o fácil acesso a medicamentos, buscava a transparência sobre os valores de vacinas e o direito de assumir projetos que não tivessem sucesso com os primeiros desenvolvedores. Contudo, a indústria farmacêutica foi contra e a CEPI então não obteve a adesão das empresas.

Hoje, a principal consequência da exclusividade das vacinas recai sobre os países mais pobres, que perdem dias tentando negociações com seus orçamentos limitados, além de terem dificuldade na logística de importação dos produtos e da matéria-prima, ficando reféns da velocidade dos processos das grandes empresas enquanto toda população continua vulnerável ao vírus.

Com informações de KNH.

Aproveitando o ensejo….
Aqui na Fonte BR, trabalhamos muito para entregar para vocês informações de qualidade amparadas unicamente na realidade dos fatos. Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você?
Clique aqui e seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo.

Jornalista com experiências acadêmicas nos diversos campos do jornalismo, audiovisual, mídia impressa e digital. Coordenadora de atividades da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo e Produtora de Conteúdo para a agência de consultoria NEXTT 49+.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escolha a Fonte!

Que tal apoiar o jornalismo independente que fazemos para você? Seja um assinante. Fortaleça o bom jornalismo. 

X