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Brasil

O BRICS que quase bricou

No BRICS, o B dificulta para R, irrita I, briga com C e ignora S.

Julio Ponce

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medicine for coronavirus in ampoule near syringe on geometrical figures

BRICS é o grupo de países em desenvolvimento que compartilhas de interesses em comum, aliando-se na intenção de fazer frente à hegemonia político econômica do G7. Seu nome vem é um acrônimo com as iniciais dos países integrantes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South África na língua inglesa). Juntos concentram 40% da população mundial, e 23,2% do PIB mundial.

Em comparação o G7 (Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Estados Unidos) tem 46% do PIB mundial, apesar de concentrar apenas 10% da população mundial.

Bricar, ou brickar, é um termo em inglês para tijolo, aqui transformado em verbo. Geralmente representa quando algum dispositivo eletrônico, seja um celular ou videogame, apresenta um erro fatal ou dano físico que compromete seu uso, transformando-se assim em um caro, porém inútil, tijolo.

Essa semana assistimos estarrecidos, após a feliz notícia de liberação das vacinas da Oxford/AstraZeneca e da CoronaVac, a demora em resolver trâmites burocráticos e diplomáticos para o recebimento dos imunizantes e insumos.

Os dois milhões de doses da vacina de Oxford após negociações de bastidores com a Índia, chegaram ao Brasil na sexta feira, dia 22, e começaram a ser aplicadas no dia seguinte.

Mas ainda dependemos de uma manutenção robusta dessa cadeia de distribuição para conseguirmos manter a distribuição e a chegada do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), crucial para podermos produzir a vacina por aqui.

Há, para o Butantan e a Fiocruz, responsáveis respectivamente pela produção da CoronaVac (desenvolvida pela SinoVac) e da CoviShield (desenvolvida pela AstraZeneca), a expectativa de transferência de tecnologia para a produção do IFA localmente, diminuindo assim a dependência dos produtos vindos do exterior.

Essa dependência vem na esteira de constantes atritos entre Brasil e China. Já tivemos ministro da educação insinuando um ganho comercial da China com a pandemia, já tivemos um chanceler debochando dos chineses, já tivemos o presidente da câmara de relações exteriores do congresso criando um incidente diplomático no Twitter. Cabe lembrar que a China é, atualmente, nosso principal parceiro comercial. Para o qual exportamos 64 bilhões (praticamente um terço de todas as nossas exportações) e compramos 34 bilhões (um quinto das nossas importações), só em 2020, segundo a câmara de Comércio Exterior.

Com a Índia, se já tivemos um bom relacionamento quando o presidente decidiu adquirir hidroxicloroquina, agora sofremos desde acusação de sermos exibidos demais, até ministro da saúde se queixando do fuso horário.

Para a Rússia, que desenvolveu sua própria vacina mas tem sido pouco transparente quanto aos dados da mesma, houve rejeição do pedido de uso emergencial, com a exigência de realização de estudo de fase III (o mesmo pelo qual passaram CoronaVac e CoviShield) em território nacional.

Com a África do Sul, país com um quarto da nossa população, e um oitavo do número de casos, poderíamos compartilhar informações para nos protegermos da nova variante detectada lá (B.1.351) que possui mutações similares à variante detectada em Manaus (B1.1.28 ou P1). Não parece, no entanto, ter havido qualquer conversa entre os respectivos ministros. Dentre os países do BRICS, é o único a ainda não ter começado sua campanha de vacinação. As informações mais recentes apontam para um início em breve, com vacinas do mesmo instituto indiano que negociou com o Brasil.

No BRICS, o B dificulta para R, irrita I, briga com C e ignora S.

Aproveitando o ensejo….
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bacharel em Ciências Moleculares e Farmácia Bioquímica, mestre em Fisiopatologia Experimental e Doutor em Epidemiologia, todos pela USP.

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