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Israel: Exemplo de imunização ou limpeza étnica?

A operação de imunização, assim como o abastecimento de suprimentos básicos, tem sido voltada apenas àqueles que tem cidadania israelense. O entendimento de cidadania, todavia, não se estende aos milhões de palestinos que vivem nos territórios ocupados.

Felipe Castro

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Nessa segunda (25), o governo de Israel atingiu a marca de 39,99% de sua população vacinada. O mundo olha para a chamada “única democracia do Oriente Médio” como exemplo no combate ao coronavírus. Do pouco mais de 9 milhões de habitantes, 3,6 milhões dos cidadãos israelenses receberam duas doses dos imunizantes.

Nesse sentido, o país judeu foi um dos primeiros a comprarem os insumos. A principal aquisição foi fruto das negociações envolvendo a Pfizer, embora tenha comprado também da Moderna e da AstraZeneca. Os acordos detalham a entrega de dados referentes a todo o processo logístico: desde produção, ao armazenamento, aplicação e até mesmo sobre a eficácia.

Esse investimento, porém, não adereça somente a saúde de sua população.

As múltiplas acusações de corrupção e o subsequente julgamento contra o atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, provocaram descontentamento em massa. A classe média do país se reuniu ao longo de 2020 para pressionar o governo pela saída de Netanyahu. Além disso, outra grande demanda dos manifestantes foi a de medidas mais firmes contra o surto do coronavírus.

A corrida pelas vacinas foi a principal medida tomada pelo governo em meio à crescente desconfiança diante da população. Além disso, Israel tem retomado suas atividades econômicas de maneira gradual, principalmente nos setores de serviços e tecnologia, partes centrais do funcionamento do país. A intenção, segundo fontes ligadas ao primeiro-ministro, é de reduzir o desemprego e voltar a atrair os investimentos advindos principalmente dos EUA e da Inglaterra.

Apesar de todo o esforço, a estabilização interna esconde um processo obscuro de décadas.

A operação de imunização, assim como o abastecimento de suprimentos básicos, tem sido voltada apenas àqueles que tem cidadania israelense. O entendimento de cidadania, todavia, não se estende aos milhões de palestinos que vivem nos territórios ocupados. Com cerca de 4,685 milhões de pessoas, a Palestina resiste ao longevo processo de colonização e segregação promovido por Israel.

Contra a lógica de imunização total, Israel se nega a vacinar o povo palestino. O projeto de limpeza étnica, aliás, vai além: A Cruz Vermelha apresentou centenas de denúncias contra o país. Segundo o comitê internacional (que se viu obrigado a encerrar suas atividades nos territórios ocupados), o país sionista comete gravíssimas violações contra os direitos humanos. O exército, milícias locais e até mesmo colonos atacam médicos voluntários, jornalistas e crianças.

As Nações Unidas têm cobrado de Israel que sua campanha abarque também os palestinos. Ademais, a ONU pressiona por respostas em relação às graves denúncias de crimes contra a população local – sem obter respostas.

Para mais, a repressão nos territórios ocupados tomou tons ainda mais violentos. O véu da crise lançado pela pandemia dá espaço para que as forças armadas ataquem diretamente os palestinos. O exército intercepta pescadores e fazendeiros, saqueia suprimentos médicos e continua prendendo até mesmo crianças. Dessa maneira, a campanha de imunização e os esforços para retomar as atividades no país servem para intensificar a segregação mais duradoura da história moderna.

Fontes: Human Rights Watch, ABC News, CNBC, Nações Unidas, CNN Brasil.

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Analista internacional, quase graduado em Relações Internacionais pela UFS. Membro do Instituto Brasil Palestina e da cooperativa de tradução Redemoinho. Traduz a Revista Legêrîn, e livretos para a editora Terra Sem Amos. Pesquisa relações de poder e escreve sobre os desdobramentos políticos, sociais e bélicos de dentro e de fora do país.

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