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América Latina

Audiência de ex-presidente do Peru por esterilização forçada de mulheres indígenas, ganha nova data.

O maior crime do governo Fujimori continua sem punição dos responsáveis: uma política que provocou a esterilização forçada de milhares de mulheres pobres e indígenas

Karla Burgoa

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A Justiça peruana marcou para o próximo dia 1º de março a audiência contra o ex-presidente Alberto Fujirmori por sua responsabilidade na esterilização forçada de milhares de mulheres indígenas realizada durante seus dez anos de governo no país andino.

A audiência foi adiada há duas semanas, porque o processo judicial não contou com intérpretes de uma variante do quechua, um dos idiomas oficiais do país, da qual falavam algumas das vítimas presentes.

As autoridades acusam não só Fujimori, que não compareceu ao julgamento online, alegando problemas de saúde, mas também os ex-ministros da Saúde Eduardo Yong Motta, Marino Costa Bauer e Alejandro Aguinaga.

Todos eles são acusados ​​de obrigar quase 350.000 mulheres e 25.000 homens a se submeterem a processos de esterilização por meio de um plano do governo para reduzir a natalidade em regiões rurais e comunidades indígenas do país.

Cerca de 2.073 mulheres relataram a grupos locais e internacionais de defesa dos Direitos Humanos que seus tubos foram amarrados sem seu conhecimento ou consentimento; e pelo menos 18 morreram como resultado da cirurgia. 1.307 reclamações ainda estão pendentes nos tribunais.

Atualmente, Alberto Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), onde, refugiando-se em uma suposta operação antiterrorista, os militares assassinaram cerca de vinte pessoas.

Mulheres pedem justiça há mais de 20 anos

No Peru, durante o governo de Fujimori, 244.234 mulheres e 20.693 homens foram irreversivelmente esterilizados em meio às políticas nacionais de planejamento familiar (1996-1999). Atualmente, 1.321 mulheres continuam buscando justiça.

A Defensoria do Povo constatou que foram feitas mais de 200.00 operações de ligadura de trompas e 22.004 vasectomias entre 1996 e 2001, quase todas em pessoas de classes baixas e de regiões rurais. Não se sabe quantas foram feitas de modo irregular.

Do total, mais de 2 mil mulheres denunciaram que foram esterilizadas sem consentimento ou sem ser devidamente informadas sobre o procedimento.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) determinou que o número de mulheres afetadas é muito alto e que pelo menos uma delas morreu em consequência dessas práticas.

Com informações de Telesur

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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