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Indígenas

Missionários evangélicos promovem onda de discursos anti-vacina em aldeias pelo Brasil

No Vale do Javari (AM), pelo menos duas aldeias já se recusaram a tomar a coronavac

Karibuxi

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Menos de uma semana desde o início da vacinação contra a Covid-19, missionários evangélicos e negacionistas pró-Bolsonaro estão espalhando fake news sobre a coronavac por aldeias em diversas regiões do país. Mensagens por WhatsApp, vídeos e áudios estão sendo divulgados amplamente pelo Mato Grosso do Sul, Amazonas e na Terra Indígena Xingu. As mensagens dizem que os indígenas são cobaias, que terão chips implantados e que a vacina carrega a “marca da besta”. Outras também dizem que ao tomarem a vacina se tornarão vampiros e irão morrer em seis meses.

O representante da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), Beto Marubo, relatou em uma rede social que pelo menos duas aldeias da Terra Indígena Vale do Javari (AM) já se recusaram a tomar a vacina: “Quando falei que alguns missionários evangélicos, em específico os fundamentalistas, são tão nefastos quanto o coronavírus para nós indígenas. Pelo menos duas aldeias do Vale do Javari estão recusando a vacina.”

Além do Vale do Javari, o discurso negacionista, amplamente endossado por Bolsonaro e sua equipe desde o início da pandemia, já atingiu também parte dos Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, dos Tikuna no Amazonas, dos Guajajara no Maranhão, dos Macuxi em Roraima, dos Kayapó no Pará e da Terra Indígena Xingu (MT), que é composta por 16 etnias.

Em Rondônia, a situação é complicada, alguns caciques e lideranças dizem que não querem tomar a vacina. Em entrevista à Fonte BR, Txai Suruí, do povo Paiter-Suruí, e membra da Juventude Indígena de Rondônia, é forte a influência da igreja na região: “Aqui em Rondônia as coisas estão bem complicadas por causa da vacina (…) e a gente sabe que essa desinformação, fake news que eles estão recebendo pelo WhatsApp, vídeos dizendo que depois que eles tomarem a vacina vai acontecer isso, que eles vão morrer, tem uma influência da igreja muito grande”.

Além disso, ela conta que nem todas as vacinas destinadas aos indígenas chegaram ao estado, o que atrasou o início da vacinação em algumas aldeias, mas que a juventude indígena no estado irá se vacinar: “Alguns ainda não começaram a vacinar, mas a juventude está querendo se vacinar e isso me deixa muito feliz”, finalizou. 

Para combatê-los, organizações indígenas e indigenistas estão divulgando materiais em línguas indígenas sobre a importância da vacinação. A Aty Guasu (Assembleia Geral do Povo Guarani Kaiowá), já está distribuindo materiais no idioma Guarani pelas aldeias do Mato Grosso do Sul. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), lançou hoje (22) a campanha “Vacina, Parente!”, que, além de estimular a vacinação por meio de mensagens e materiais audiovisuais, também cobra do Governo Federal que inclua todos os povos indígenas no grupo prioritário e não somente os que vivem em territórios demarcados, como definido pelo Ministério da Saúde.

*Com informações do Valor Econômico

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