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Yara Flor: representatividade ou fortalecimento de estereótipos e preconceitos?

A ideia da chegada de uma heroína indígena na DC comics foi bem vista, mas muito questionada sobre autenticidade e respeito com as culturas indígenas do país.

Alice Pataxó

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No dia 05 de janeiro, terça-feira, foi lançado oficialmente o primeiro HQ da mais nova heroína da DC Comics, Yara Flor – A tão espera mulher maravilha brasileira indígena. Parte da DC Future State, em um futuro próximo, a partir de 2025, Yara Flor foi duramente criticada por indígena, alguns dos motivos para que isso acontecesse fica claro em diversas aparições nas redes sociais de figuras públicas e comunicadores indígenas do Brasil, especialmente mulheres indígenas, falando sobre ela e explicando os pontos que desrespeitam suas culturas e tradições.

A ideia da chegada de uma heroína indígena na DC comics foi bem vista, mas muito questionada sobre autenticidade e respeito com as culturas indígenas do país. Pontos que não foram respeitados como gostaríamos, questionando o universo do HQ, a personalidade de Yara Flor, seus estereótipos, e a reprodução de intolerância de crenças foram muito apontadas nas poucas páginas do HQ. Na produção do HQ ou na série já anunciada pela emissora CW em live-action, não conta com nenhum indígena na produção, algo muito questionado por indígenas ao apontar erros que poderiam ter sido evitados.

A personagem Yara Flor, traz em si os estereótipos de um indígena brasileiro, vivendo na Amazônia brasileira Yara, sai em busca de Hades para trazer de volta sua irmã levada por ele, ainda nesse primeiro momento do HQ, Caipora (importante personagem de crenças indígenas e não apenas personagem do Folclore Brasileiro) aparece, mostrando uma divindade protetora da floresta como uma frágil garota, que tem medo da heroína egocêntrica e extremamente focada em sua missão. Mulheres indígenas de diferentes povos se manifestaram no Twitter sobre os fatos, o desrespeito é claro, e as correções e indignações não são silenciadas. Por mais importante que seja a representatividade da heroína a um nível mundial no mundo dos quadrinhos é inaceitável que isso aconteça de uma maneira que venha a ferir tradições e etnias brasileiras.  Algumas dessas críticas muito acessadas foram de comunicadoras indígenas como @munihin e @karibuxi. @Munihin fez um alerta pontuando sobre os erros do HQ: Mistura de Tupã, Caipora, Zeus e Hades. Yara desrespeitando Caipora. Caipora pedindo desculpas para Yara e etc. 

Desenho de uma pessoa

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

Capa do #2 Kriança Índia

A Personagem ainda foi colocada frente a outros personagens de HQ’s indígena, produzido por brasileiros, como a Kriança índia de Rafael Campos, que nos deu uma entrevista exclusiva sobre seu protagonista mais amado entre os indígenas, a Kriança índia que luta pela defesa da floresta contra não-indígenas, uma Kriança que não teme o garimpeiro, fazendeiro ou pistoleiro em suas terras, uma verdadeira representatividade da vida e da resistência dos povos indígenas, com apoio na produção de dois indígenas: Aredze Xukurú e Gabriela Ismerim. Segundo Rafael Campos autor do HQ a Kriança Índia não tem etnia, idade e mesmo gênero definido, diferente do que a cultura pop nos proporciona com estereótipos sobre indígenas sendo vítimas ou selvagens, vemos na Kriança um algoz dos heróis tradicionais, de homens que destroem a vida na floresta, não é só a guerra que se nos assemelha com esse protagonista promissor, mas a luta, e a certeza de estarmos aqui para vencer, e como diria seu autor, e “esmagar invasores da Amazônia”. 

Fica o desejo que as críticas e contatos mudem o caminhar dessa mulher maravilha que precisa viver e ser realmente indígena.

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Alice Pataxó, tem 19 anos, é comunicadora e ativista indígena, da aldeia indígena Pataxó Craveiro, em Prado no Sul da Bahia. Alice é fundadora do canal Nuhé no YouTube e estudante de Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

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