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Brasil

No Brasil, respirar virou um luxo

Virou um consenso de que é melhor e mais barato deixar as pessoas morrerem sufocadas, afogadas no próprio sangue ou lama do que fazer algo para evitar tragédias.

Cleber Lourenço

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De Brumadinho até Manaus, tragédias facilmente evitadas e que vitimaram centenas de pessoas pobres, humildes e todo aquele que não está no pico da pirâmide social brasileira. Lamentável.

Em Brumadinho tivemos pessoas afogadas na lama, sufocadas na terra, assim como em Mariana, assim como na tragédia da região serrana no Rio de Janeiro que completou dez anos.

Tragédias todas evitável, a Vale, reincidente e responsável pelas duas tragédias, foi avisada, sabia dos riscos e mesmo assim pagou para ver as pilhas de corpos. Na serra fluminense também.

E agora chegamos em Manaus. Há menos de 30 dias, deputados federais, blogueiros e agitadores de extrema direita ao lado de empresários locais tocavam o terror pressionando o poder público para evitar medidas de restrição e combate à pandemia.

Virou um consenso de que é melhor e mais barato deixar as pessoas morrerem sufocadas, afogadas no próprio sangue ou lama do que fazer algo para evitar tragédias.

Um mês antes da tragédia em Manaus, o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse tais palavras:

https://www.youtube.com/channel/UCVFbXI6Gu8U2f9Gjtxw4A-Q

Pazuello disse ontem que o atendimento precoce (SEM EFICÁCIA), já era a prioridade do prefeito de Manaus. Hoje temos o mais completo descalabro na cidade e até mesmo no Estado. Virou a cidade da morte. Logo após a passagem do Ministro da Saúde por lá. Simbólico.

O Ministro que oferece a Cloroquina que esta estocada aos baldes ao povo de Manaus, é o mesmo que sob a sua gestão assistiu o descalabro da falta oxigênio e as pessoas morrem por omissão do governo. Uma tragédia anunciada e nenhuma providência tomada para salvar vidas.

No Brasil de hoje, embora os centros urbanos sejam campeões em polução do ar, quanto mais afastado das cidades, maiores são as chances de você subitamente ser asfixiado, seja por sangue, água ou terra, não que nas cidades não ocorram inúmeros alagamentos e enchentes que vitimam centenas de pessoas em todos os verões, mas notem, sempre nas periferias.

O que fica claro é que no Brasil, quanto mais pobre você for, mais o seu oxigênio está em risco. Um absurdo, principalmente, para um país com esse porte, com essa dimensão continental.

E enquanto o caos se instaura na no estado, o governo federal insiste em tentar realizar o ENEM no estado onde os hospitais viraram zonas de asfixia.

Nada é mais importante para a democracia do que um eleitorado bem informado. Apaixonado por jornalismo e política. Textos publicados em: Revista Forum, Congresso em Foco e no UOL (pelo blog Entendendo Bolsonaro)

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