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América Latina

Cuba produz o Nasalferón, remédio em gotas nasais para o enfrentamento do COVID-19

O remédio apresentou 93% de eficácia e está sendo distribuído entre médicos, cubanos vindos do exterior e turistas.

Karla Burgoa

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Cuba passou a usar massivamente um medicamento desenvolvido no país para enfrentar o coronavírus. Nasalferón é um imunoprotetor que impede a replicação do SARS-CoV-2 – vírus que causa o covid-19- fortalecendo o sistema imunológico e evitando o desenvolvimento de sintomas graves em caso de infecção. As gotas nasais cubanas foram feitas pelo Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) de Havana.

Desde a última quinta-feira, são fornecidos aos cubanos que chegam do exterior e também para turistas em Boyeros e Diez de Octubre, dois dos municípios com maior densidade populacional em Havana.

As autoridades sanitárias cubanas esperam expandir gradualmente seu fornecimento para toda a cidade, onde vivem cerca de dois milhões de pessoas.Nasalferon é aplicado pelo nariz. A indicação é colocar uma gota pela manhã e outra à noite, por um período de 10 dias.

“Os conviventes devem iniciar o tratamento três dias antes da chegada do viajante a sua casa”, explicou à imprensa a diretora de Ciência e Inovação Tecnológica do Ministério de Saúde Pública de Cuba, Ileana Morales.

Veja também: Soberana 02: vacina desenvolvida em Cuba, será testada no exterior

A distribuição do medicamento está a cargo das policlínicas, que o distribuem nos Consultórios Médicos de Família, rede territorial de atendimento onde um médico e uma doença atendem a comunidade.

Em Havana, ocorre um surto de coronavírus. Esta semana, o país manteve a tendência de aumento de casos do novo coronavírus e registrou pelo quinto dia aumento de contágios, com 487 novas infecções nas últimas 24 horas – 44 importados -, chegando a um total de 15.494 casos desde março do ano passado. A aplicação das gotas constitui uma das novas ações para enfrentar a pandemia. Atualmente, com 3.057 casos ativos, atinge o número mais elevado desde o início da pandemia, de acordo com o relatório diário do Ministério da Saúde Pública (Minsap).

O país, que também está desenvolvendo sua própria vacina, pretende imunizar toda a sua população ainda no primeiro semestre de 2021, de acordo com o director Geral do Instituto Finlay, Vicente Vérez Bencomo. Cuba também pretende disponibilizar a vacina para outros países da região. Em setembro, o governo cubano fez um acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) para que a vacina do país seja distribuída a outros países latino-americanos.

Veja também: Cuba poderá imunizar toda a sua população contra COVID-19 com vacina própria, no primeiro semestre de 2021

A base do Nasalferon

Em entrevista ao Página 12, Ileana Morales Suárez, diretora Ciência, Inovação e Tecnologia do Ministério de Saúde Pública, garantiu que o soro apresentou uma eficácia de 93% entre as equipes médicas que trabalha na chamada “Zona Vermelha” dos hospitais, e é baseado em um interferon fabricado em Cuba.

Fontes oficiais especificaram que até agosto passado o medicamento foi fornecido a mais de 17.000 profissionais de saúde. Também foi recebido por cerca de mil pessoas consideradas vulneráveis ​​por serem idosas ou terem estado em exposição direta ao covid-19.

Os cientistas explicam que a droga modifica o número de colônias de vírus presentes no corpo, além de fortalecer o sistema imunológico e garantir que a pessoa infectada não desenvolva sintomas graves.

Por ser usado por via nasal, tem a vantagem de impactar diretamente na área do corpo onde se concentra a maior quantidade de vírus, alterando rapidamente sua reprodução.

O Nasalferón foi usado experimentalmente na província cubana de Ciego de Avila. Após os testes, o pesquisador do CIGB, Hugo Nodarse, considerou que “o efeito preventivo tem projeção de longo prazo” e ressaltou que não apresenta “efeitos colaterais adversos muito grandes”.

Cuba está atualmente desenvolvendo, além disso, quatro vacinas contra o coronavírus. Os empreendimentos estão em diferentes fases de ensaios clínicos para cumprir a intenção do governo de imunizar toda a população este ano.

O Finlay Vaccine Institute (IVF), de Havana, está com duas vacinas em andamento, a Soberana-01 e a Soberana-02. Enquanto isso, o CIGB produzia Abdala e Mambisa, este último de administração nasal.

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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