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América Latina

ONU afirma que a polícia peruana fez “uso desnecessário e excessivo da força” durante os protestos contra o golpe no país

“O direito é claro: as pessoas têm o direito de se reunir pacificamente e as reuniões só podem ser dispersadas em casos excepcionais”, disse a Alta Comissária da ONU, Michelle Bachelet.

Karla Burgoa

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A polícia do Peru fez “um uso desnecessário e excessivo da força” durante os protestos em novembro contra a designação de Manuel Merino como presidente do país e que ocasionou na morte de dois jovens e centenas de feridos – é o que aponta o Relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU nesta terça-feira (12).

“O direito internacional é claro: as pessoas têm o direito de se reunir pacificamente e as reuniões só podem ser dispersas em casos excepcionais”, disse a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em um comunicado.

Em 9 de novembro, o Congresso do Peru destituiu o então presidente do país, Martín Vizcarra, que foi substituído pelo chefe do Parlamento, Manuel Merino. A decisão desencadeou uma onda de protestos sociais por todo país, que ocasionou na morte de dois jovens e centenas de feridos, obrigando Merino a renunciar cinco dias após a posse, o que resultou na nomeação de um novo presidente, o centrista Francisco Sagasti.

Em um relatório publicado hoje, o escritório das Nações Unidas aponta que as forças de segurança não distinguiram entre manifestantes pacíficos – a maioria – e aqueles que “supostamente” agiram com violência e muita repressão policial.

“A polícia disparou projéteis com espingardas calibre 12 e cartuchos de gás lacrimogêneo diretamente na cabeça e na parte superior do corpo dos manifestantes, indiscriminadamente e à queima-roupa”, disse o comunicado.

Outras violações constatadas são a falta de identificação dos policiais à paisana no momento das prisões; a ausência de assistência jurídica aos detidos, alguns dos quais se autoincriminam sob pressão; e as condições degradantes de detenção.

“Dez detidos denunciaram à missão da ONU terem sofrido abusos físicos e oito denunciados supostos abusos psicológicos”, destaca o comunicado do gabinete, cuja missão também foi informada de “oito casos de violência sexual e de gênero contra mulheres e homens ”.

Bachelet destacou o início por parte das autoridades de algumas investigações preliminares e que o governo reconhece a prática de violações, mas pediu que “todas as denúncias” sejam investigadas “de forma rápida, independente e exaustiva”.

“É essencial que o comando da polícia também reconheça que foram cometidas violações dos direitos humanos”, acrescentou o Alto Comissário, que também expressou preocupação com “padrões de violência institucional” durante os recentes protestos de trabalhadores rurais.

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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