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América Latina

Começa hoje julgamento de ex-presidente do Peru por esterilização forçada de indígenas

Pelo menos 244.234 mulheres indígenas foram irreversivelmente esterilizadas como parte das políticas de planejamento familiar de Alberto Fujimori.

Karla Burgoa

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A Procuradoria Geral do Peru apresentará nesta segunda-feira (11) acusações contra o ex-presidente Alberto Fujimori, seus ministros da Saúde e outras ex-autoridades por esterilizações forçadas de milhares de mulheres durante os anos de 1996 a 2000.

A audiência, que será presidida pelo desembargador Rafael Martin, terá início às 9h30, horário local, e será veiculada nas redes sociais por meio da conta da TV Justicia.

O caso de esterilização forçada foi aberto há 22 anos. Por último, o Ministério do Interior vai acolher as queixas de milhares de vítimas pelas práticas do Estado.

“Este é o primeiro processo criminal maciço por esterilização forçada que ocorre no país. O processo legal deve ser livre de interferências políticas. Os responsáveis ​​devem ser punidos”, disse o advogado Milton Campos.

O Poder Judiciário investigará o crime de esterilização forçada como crime contra a humanidade e decidirá sobre as indenizações aos prejudicados pelas políticas de Fujimori.

“O processo também deve ser imparcial para que as vítimas não sejam discriminadas ou revitimizadas. As autoridades devem garantir uma investigação com agilidade, perspectiva de gênero e interculturalidade”, acrescentou a advogada Maria Cedano.

A audiência terá uma tradução em tempo real para a língua indígena das famílias das vítimas e sobreviventes.

Os ex-ministros da Saúde Eduardo Yong, Marino Costa e Alejandro Aguinaga serão julgados como coautores de crimes contra a humanidade. Os funcionários Segundo Aliaga, Enrique Marroquin, Magda Gonzales e Ulises Aguilar serão julgados pelo caso de Mamerita Mestanza, vítima mortal de esterilização forçada.

No Peru, durante o governo de Fujimori, 244.234 mulheres e 20.693 homens foram irreversivelmente esterilizados em meio às políticas nacionais de planejamento familiar (1996-1999). Atualmente, 1.321 mulheres continuam buscando justiça.

A Defensoria do Povo constatou que foram feitas mais de 200.00 operações de ligadura de trompas e 22.004 vasectomias entre 1996 e 2001, quase todas em pessoas de classes baixas e de regiões rurais. Não se sabe quantas foram feitas de modo irregular.

Do total, mais de 2 mil mulheres denunciaram que foram esterilizadas sem consentimento ou sem ser devidamente informadas sobre o procedimento.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) determinou que o número de mulheres afetadas é muito alto e que pelo menos uma delas morreu em consequência dessas práticas.

Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão por violações de direitos humanos, como autor imediato, com domínio do fato, dos massacres de 1991 e 1992, quando 25 pessoas foram mortas pelo grupo paramilitar Colina, e pelo sequestro de um empresário e um jornalista em 1992.

Acompanhe o julgamento ao vivo clicando aqui.

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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