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Brasil

Quem também ia? O pacto da branquitude nunca falha

Utilizar do aparato do Estado racista é mostrar a verdadeira face do feminismo branco e despolitizado

Karibuxi

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Dando continuidade à polêmica do supremacista branco Jake Angeli, um dos invasores do Capitólio, impossível não falar dos ataques racistas de mulheres brancas à mulheres indígenas e negras.

O motivo? Questionar mulheres brancas que mesmo de “brincadeira” trouxeram à público desejo e tesão no supremacista em questão. E é aí que as coisas pioram bastante. Afinal de contas… “Quem também ia?”

Como bem disse a nossa companheira de luta, Jade Alcântara Lôbo, “desejo é fruto das relações sociais, que por sua vez, são desiguais em termos de poder-raça. Nesse sentido, mulheres brancas apresentaram seu tesão reprimido em pureza racial”.

Não demorou muito, para que os questionamentos apontados por mulheres indígenas e negras fossem taxados de “fiscalização” e mulheres brancas colocadas como vítimas de mulheres agressivas, loucas e que precisam de terapia.

Veja também: Não era um Viking: era um neonazista roubando símbolos, como sempre

Por mais que feministas brancas digam que são nossas aliadas, os atos falam por si. Historicamente mulheres indígenas e negras são colocadas como agressivas, selvagens, loucas e demais adjetivos que nos colocam numa condição animalesca e isenta de humanidade.

Colocar mulheres indígenas e negras no mesmo patamar de supremacistas e milicianos, nossos algozes, é perpetuar a ideia colonial e racista de que mulheres indígenas e negras são uma subcategoria de mulheres.

Estas mulheres, que não aceitam serem contrariadas, que não admitem estar erradas usam da figura da mulher branca vítima, pura, inocente e boa e passam a virar a história para si e se colocarem como vítimas de perseguições, enquanto assediam, denunciam e ameaçam, por replys e direct messages, mulheres não brancas de processos judiciais.

Uma velha tática de coagir e onde sempre a corda arrebenta para o lado mais fraco, e elas sabem.

Como num passe de mágica mulheres brancas que até pouco tempo se colocavam como antirracistas, progressistas, aliadas, contra todo e qualquer tipo de opressão, utilizam-se do aparato do Estado racista (e neste caso se unem com homens brancos num verdadeiro pacto de branquitude) para perseguir e silenciar mulheres indígenas e negras, sabendo de suas posições de poder enquanto mulheres brancas de classes média e alta, dentro de uma sociedade construída sob suor e sangue indígena e negro.

Como não podem mais mandar nos chicotear, como as sinhazinhas do passado, tentam nos silenciar, constranger e coagir. Antirracismo é muito mais que hashtags e frases prontas, é práxis, e se sua luta por equidade de gênero não engloba a questão de raça, ele não passa de supremacia branca.

Aproveitando o ensejo….
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Comunicadora indígena. Povos indígenas e direitos indígenas. Idealizadora do @ProIndigenas e co-idealizadora do boletim #IndígenasECovid19

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