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América Latina

O Facebook suspende a conta de Donald Trump mas é omisso em países da América Latina vítimas de fake news

Notícias falsas divulgadas na plataforma ajudaram na construção de golpes de estado pela América Latina, como na Bolívia

Karla Burgoa

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Após protestos que culminaram na invasão ao Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, o Facebook suspendeu o perfil do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por “tempo indeterminado”.

Em um post intitulado “Nossa resposta à violência em Washington”, a empresa de Mark Zuckerberg afirmou que estava monitorando em tempo real as atividades na plataforma e que apagaria publicações que incitarem a violência, posição diferente de sua relação com os países da América Latina, onde a rede não evitou manipulação política.

Sophie Zhang, ex-funcionária do Facebook, relatou em memorando publicado pelo BuzzFeed, a omissão da plataforma diante o conhecimento de possíveis atividades maliciosas ou manipulação política em vários países latinos, o que acabou promovendo forte manipulação política e mortes, através do compartilhamento de notícias falsas e incentivo a violência de grupos de extrema direita.

A Bolívia, que passou por uma grave crise política e social que resultou em um golpe de estado em 2019 e em dois massacres no país andino, teve forte apoio das notícias falsas compartilhadas que incentivam o ódio ao povo originário e ao então do governo do Presidente Evo Morales.

Zhang constatou “falsa atividade de apoio ao candidato presidencial da oposição em 2019″, aludindo a Carlos Mesa, candidato beneficiado pelas manipulações da rede.Em Honduras, Zhang revela que trabalhava na empresa há apenas seis meses quando percebeu um”comportamento inautêntico coordenado”, termo usado para se referir ao uso de múltiplas contas falsas para divulgar conteúdos específicos, beneficiando o atual presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández.

A manobra, que envolvia milhares de contas ativadas por um administrador da página do presidente, foi ignorada pela rede social na épocaNo Equador, a especialista lembra que encontrou “uma atuação inautêntica de apoio ao Governo da época”, referindo-se à Presidência de Lenín Moreno, mas decidiu “não priorizá-la”.

Essa ex-funcionária também se pergunta se a gestão da executiva diante da subsequente crise do coronavírus teria sido diferente, se ela tivesse agido nas redes sociais a tempo.

Em declaração, Sophie Zhang indica que a empresa considera certos países com maior prioridade para aplicar suas políticas de controle: “Focamos em regiões danificadas e prioritárias como os EUA e Europa Ocidental”.

Por isso, afirma que em outros territórios, “menos considerados” pelo Facebook, teria feito as melhores determinações possíveis, mas com menos recursos disponíveis.

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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