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América do norte

Não era um Viking: era um neonazista roubando símbolos, como sempre

Utilizar peles e chifres vai muito além de passar a imagem de virilidade masculina e vikings.

Karibuxi

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A invasão de grupos pró-Trump, muitos deles supremacistas brancos, ao Capitólio na última quarta-feira (6), reacendeu o debate sobre o avanço de grupos de extrema-direita nas redes sociais.

O que, a princípio, era pra ser uma ótima oportunidade de se analisar o perigo que estes grupos representam em escala global, se tornou um verdadeiro caos, iniciando por perfis no Twitter que acharam prudente fazer postagens com teor sexual sobre um dos supremacistas.

Além disso, reproduziram, de maneira irresponsável que o supremacista branco, Jake Angeli, usava na cabeça era um chapéu Viking, mas, vamos por partes: começando pelo fato que o capuz que Jake utilizou na invasão ao Capitólio é um warbonnet Sioux, que faz parte da cultura da nação Sioux dos Estados Unidos. Feito de chifres e pele de búfalo, originalmente, – o chapéu usado pelo supremacista era pele de outro animal.

Búfalos não são da Europa, e sim do norte de Abya Yala (na língua do povo Kuna significa “Terra madura”, “Terra Viva” ou “Terra em florescimento” e é sinônimo de América), bater na tecla de que ele quis remeter à uma indumentária Viking é propagar desinformação, e acima de tudo, esvaziar de significado elementos sagrados indígenas, que é um dos propósitos destes grupos.

O mesmo também autointitula-se “Shaman”, conhecido como “QShaman” entre seus apoiadores. Não é difícil vê-lo em fotos utilizando tambores de pele, rodeado de filtros dos sonhos dentre outros elementos pertencentes povo originários dos Estados Unidos.

A parente (forma como nós indígenas nos chamamos) Jé Hãmagãy, falou brevemente sobre o warbonnet:

O búfalo é um animal muito importante e sagrado para diversas etnias do norte de Abya Yala, dele se retirava a carne para o alimento, a pele para fazer roupas, sapatos, construírem suas casas. Os invasores ingleses no passado promoviam caçadas de búfalos com a finalidade de diminuir sua população e assim atingir diretamente os povos indígenas que tem neste animal fonte de vida e sabedoria. 

A nação Pueblo tem como parte de sua cultura, a Buffalo Dance a parente Elizabeth A. Reese explica mais sobre:

E menciona sobre a profanação do warbonnet feita por Jake na última quarta-feira, que, além do capuz, fez pintura facial de guerra com as cores da bandeira confederada:

Achar que esses grupos utilizam-se de peles, chifres, pinturas faciais única e exclusivamente para passar a imagem de um “macho viril”, que tem por objetivo somente menosprezar mulheres e tê-las apenas para reprodução, é dar prosseguimento ao processo de construção da estética da simbologia supremacista, que esvazia e se apropria de elementos indígenas para fomentar a estratégia de despolitização utilizada por fascistas, no sentido de que elementos indígenas deixam de ser associados a indígenas e passam a ser associados a supremacistas brancos.

Não é a primeira vez

A suástica (aquela do nazismo), do sânscrito svtika, que significa “boa sorte” ou “bem-estar”,  possui registros de uso há mais de 7.000 anos, como uma representação do movimento do Sol no céu.  Até hoje, é um símbolo sagrado no hinduísmo, no budismo, no jainismo e no odinismo, antes mesmo de Hitler assumir o poder o a Alemanha perder a primeira guerra.  É comum encontrá-la em templos ou residências na Índia e na Indonésia.  As suásticas também têm uma história antiga na Europa, aparecendo em artefatos de culturas europeias pré-cristãs.

Ornamentava, por exemplo, objetos decorativos e utensílios domésticos da antiga Mesopotâmia – atual Iraque – Foi usada também por bizantinos na Europa, maias e astecas na América.

Outros símbolos como a Runa Odal e o Sol Negro também são símbolos de culturas pagãs anteriores ao nazismo e que também foram “sequestrados” por súditos do eixo derrotado.

O mesmo fizeram os integralistas brasileiros com o “anauê”, grito de guerra de alguns povos indígenas do tronco tupi.

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