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América do norte

EUA: semana decisiva para a democracia norte-americana

Certificação das eleições presidenciais acontece em meio a protestos e tentativas de golpe de Donald Trump.

Ady Ferrer

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Para nós brasileiros, a divulgação do resultado da votação popular seria o fim da discussão sobre quem vai ser o próximo Presidente da República. O Brasil se chocou quando descobriu que na maior democracia do mundo, a que exporta modelos, demora mais de 1 mês para saber o resultado. Mas, para além da problemática do próprio modelo eleitoral dos Estados Unidos, esse ano tem sido particularmente mais difícil de entender: afinal, como alguém chega à Sala Oval? Qual é o momento de parar de questionar as eleições?

Quando se chega à eleição no Colégio Eleitoral, já se tem 100% de certeza de quem ganhou a eleição. Na verdade, até mesmo no voto popular, quando mesmo com recontagens não há a possibilidade de virar o resultado. Esse foi o caso das eleições presidenciais de 2020.

Contestar o resultado das eleições e pedir recontagem faz parte da democracia, mas saber até onde ir é fundamental. As eleições presidenciais de 2000, entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush, são um exemplo. Os resultados em estados pequenos estavam muito próximos e, no fim, a Flórida decidiria quem levaria a disputa. O resultado no estado foi o suficiente para pedir uma recontagem de votos. O democrata chegou a pedir mais recontagens na Suprema Corte e perdeu a ação. Logo depois, Al Gore reconheceu a derrota.

Este é um limite que Donald Trump parece desconhecer. O Colégio Eleitoral se reuniu no dia 14 de dezembro e confirmou a vitória de Joe Biden. E mesmo assim, Donald Trump segue insistindo que a eleição foi roubada.

Todos os processos movidos por sua campanha, mais de 50, foram ou perdidos ou nem considerados válidos para julgamento. A movimentação de colocar Amy Coney Barrett na Suprema Corte no lugar de Ruth Bader Ginsburg, que faleceu em setembro de 2020, poderia ser um coringa para ajudar Trump no judiciário. No entanto, a Suprema Corte rejeitou um processo movido pelo Texas para invalidar os resultados na Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Winsconsin – o entendimento é que não há base legal.

À medida em que 20 de janeiro, dia da posse de Joe Biden, vai chegando, mais e mais teorias vão alimentando trumpistas ao redor do país. Tantas datas foram marcadas para o tal “dia da tempestade”, o dia em que Donald Trump desmascararia os satanistas, pedófilos e fraudadores da eleição. Do dia 3 de novembro, data da eleição, para 14 de dezembro, reunião do Colégio Eleitoral, e agora a próxima data: 6 de janeiro, hoje.

Agora, no entanto, trumpistas estão corretos, essa é uma semana decisiva para a democracia dos Estados Unidos. Mas não pelo que eles estão pensando: tem segundo turno das eleições para o Senado no estado da Geórgia. Durante todo o dia de ontem (5), os eleitores puderam escolher os representantes das duas últimas vagas: o democrata Raphael Warnock ou Kelly Loeffler, do partido Republicano; e Jon Ossoff, do partido Democrata ou o republicano David Perdue. Até o momento, o Partido Republicano tem 50 cadeiras no Senado, enquanto o Democrata, 48. Dependendo do resultado, Joe Biden pode respirar mais aliviado.

E foi uma semana que já começou muito agitada: a democrata Nancy Pelosi foi eleita para o 4° mandato como presidente da Casa dos Representantes no mesmo dia em que vazou uma ligação que mostra Donald Trump pressionando o secretário de estado da Geórgia, Brad Raffensperger, a cometer fraude eleitoral. No áudio, o ainda presidente diz que sabe que ganhou por muito, mas que precisa de “apenas 11.180 votos”. Donald Trump perdeu no estado por 11.179 votos de diferença.

Um dia depois, Raffensperger fez uma coletiva de imprensa onde desmentiu cada tópico falado por Donald Trump na ligação. Logo em seguida, o procurador federal da cidade de Atlanta, capital da Geórgia, Byung Jin “Bjay” Pak, pediu demissão. O próprio Trump escolheu o sucessor: Bobby Christine, que já atua no sul do estado.

O governador da Pensilvânia, o democrata John Fetterman, afirmou em entrevista ao MSNBC que Donald Trump fez ligações parecidas para autoridades do estado. “Toda essa fúria e raiva vai acabar com Joe Biden sendo empossado no dia 20 de janeiro”, disse.

Durante o dia de hoje, o Senado e a Casa dos Representantes se reuniá para validar os votos de cada estado. A certificação de hoje não seria tão importante para as eleições se não fossem as tentativas de Donald Trump de reverter o resultado até o último segundo. O maior golpe que a campanha jurídica de Trump recebeu até então envolve a certificação e o vice-presidente, Mike Pence. O congressista pelo Texas e republicano Louie Gohmert entrou com uma ação para aumentar os poderes do vice na reunião. No entanto, Pence pediu para que a ação seja rejeitada.

As tensões no congresso prometem estar altíssimas, pois 13 senadores e mais de 100 congressistas aliados a Trump pretendem tentar de tudo para anular. A lei eleitoral prevê que se um membro de uma das Casas apresentar uma objeção aos resultados, ambas as Casas devem se reunir para debater e votar. Além disso, os legisladores também estão pedindo que o Congresso crie uma comissão para auditar o resultado em estados muito disputados, entre eles: Arizona, Georgia, Michigan, Nevada, Pensilvânia e Wisconsin.

A pressão nas ruas também não será pouca. Apoiadores de Donald Trump ao redor do país têm se dirigido a capital, Washington D.C., para protestos organizados por grupos de terroristas domésticos de extrema-direita, como o Proud Boys. No domingo, o líder do Proud Boys, Enrique Tarrio, foi preso com arma de fogo e dispositivo de alimentação de alta performance, proibida em Washington, mas foi solto logo depois com proibição de pisar na cidade. A prisão colocou mais fogo ainda na fogueira, com alguns membros chegando a ameaçar queimar delegacias de polícia. Essa é uma mudança no comportamento dos grupos de extrema-direita que se reúnem desde ontem na capital: eles estão começando a dar as costas para a polícia.

Com o crescimento das tensões, os estabelecimentos de Washington foram fechados e protegidos com tapumes:

Esses protestos foram inflados pelo próprio presidente Donald Trump, porque 59 processos invalidados não é o suficiente para que a equipe compreenda que não há base legal. Para citar Brad Raffensperger, “o problema, presidente, é que seus números estão errados”. A essa altura, Donald Trump zomba das instituições norte-americanas e transforma a maior potência mundial em uma piada sem graça – é esse o caminho que o nosso presidente, Jair Messias Bolsonaro, vislumbra para o Brasil em 2022. Atenção nos Estados Unidos.

Jornalista formada pela UCPel-RS, especialista em Relações Internacionais pela UnB e pós-graduanda em Cinema e Audiovisual pela Belas Artes de São Paulo. Podcaster no MIDcast política, #AdyNews e SulCast.

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