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Brasil

A matemática da vacina é a vacina contra os negacionistas

Há uma chance maior de você ganhar na megasena fazendo uma aposta de 9 números do que de você sofrer alguma reação adversa de alguma vacina.

Julio Ponce

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syringe and pills on blue background

Chegamos ao fim de 2020 batendo a triste marca de 1.200 mortes registradas pela Covid-19 em um único período de 24 horas. São 1.200 famílias, que se juntam a outras 190 mil que choram seus parentes, amigos, colegas. Essa cifra se mantém acima de 500 há mais de um mês, na média dos 7 dias anteriores. É normalização da barbárie; é estar acostumado com a morte.

E não são lágrimas que deixaram de ser choradas. São as pessoas, que podiam estar ajudando a diminuir esses números que se recusam a sentir, a se compadecer. “E daí?”, diz uma delas . “Por que essa ansiedade, angústia?” diz outra.

Talvez, se falarmos na linguagem deles, a do dinheiro, eles se interessem. É isso que esse texto se propõe a fazer. Os números, quando forem sensíveis a datas, são do dia 28 de dezembro. O número de reações graves refere-se a casos de Paralisia de Bell e reações alérgicas graves relatadas ao CDC americano e/ou ao NIH, além de relatos na imprensa do Reino Unido.

Foram, até aquela data, 5,31 milhões de indivíduos vacinados em todo o mundo. Dessas, apenas 12 apresentaram alguma reação que necessitou de intervenção médica. A mais comum delas, de reação alérgica aconteceu sobretudo em pacientes com histórico de choque anafilático (ou seja, que já sabiam que corriam risco de uma reação exagerada do sistema imunológico) e foram prontamente revertidas.

Trocando em miúdos, 2,3 pacientes por milhão tiveram alguma reação. Ou seja, em uma cidade como São Paulo, com seus 12 milhões de habitantes, o número de pessoas que potencialmente poderiam ter efeitos adversos assim ocuparia apenas a primeira fileira do Theatro Municipal. Todos os demais 1490 assentos do Theatro permaneceriam vazios.

Se extrapolarmos essa conta para o Brasil inteiro, teríamos, arredondando para cima, 500 casos de reações adversas. Não encheria um terço do teatro mencionado no exemplo. Ocuparia uma sala de cinema grande. E ainda seria menos da metade do número de mortes por dia, por COVID-19 no fim de dezembro.

Observando de outro modo, se vacinássemos o país inteiro, teríamos 0,00024% da população com efeito adverso. Há uma chance maior de se ganhar na megasena fazendo uma aposta de 9 números do que isso. Morreu mais gente caindo de escadas em 2019 do que teriam efeitos adversos tomando a vacina, segundo SIM-DATASUS.

É importante destacar que reações como essas não são exclusividade das vacinas contra o Coronavírus e, se adequadamente tratadas, representam um número muito pequeno de sequelas, certamente menor do que as doenças que foram desenvolvidas para combater.

Mas voltemos aos números. Suponhamos que cada um dos acometidos por reações adversas processem o governo, e ganhem, digamos, 80 mil reais (valor similar ao recebido em uma ação movida por uma paciente que desenvolveu sequelas com a vacina contra H1N1). O governo gastaria, de indenizações, 40 milhões de reais. Parece, à primeira vista, um valor considerável. Daria para instalar 222 novos leitos de UTI, segundo estimativa da UNICAMP.

Mas vejamos o outro lado dessa conta. O país, no dia 28 de dezembro, contava com média móvel dos últimos 7 dias, de 34.667 novos casos por dia. Desses, pela evolução natural da infecção, 5% irão se agravar e precisar de UTI. São 1.733 novos casos que irão parar na UTI gerados a cada dia. Em média, cada um desses irá ficar 15 dias internado, a um custo diário de 2,5 mil reais. São 37,5 mil reais por cada paciente durante sua estadia como um todo. A cada dia, geramos, portanto, um gasto só em UTI, de 64,987 milhões de reais. Notem que essa cifra exclui casos de internação mais simples e o impacto de óbitos.

Vejam, geramos EM UM SÓ DIA, um gasto que cobriria TODAS as potenciais indenizações das reações adversas de vacinas, a imensa maioria das quais são tratáveis e sequer resultariam em campo para processo contra os produtores, o governo ou quem quer que tenha feito a aplicação.

Os custos com mortes são incomensuráveis e irreversíveis. Continuar no caminho que estamos é aceitar que estes, e os custos com internações, serão parte do nosso orçamento público por muito muito tempo.

Aproveitando o ensejo….
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