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África

Etiópia matou mais de 100 pessoas em protestos étnicos de junho de 2020

Morte de músico, gerou uma onda de protestos e violências de caráter étnico. Os embates nas ruas foram classificados como os mais violentos em anos. Vítimas foram torturadas

Ady Ferrer

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A Comissão de Direitos Humanos da Etiópia apontou que forças de segurança mataram 123 pessoas e feriram mais de 500 em protestos étnicos que se seguiram após a morte do músico Hachalu Hundessa, nos meses de junho e julho de 2020.

Os embates nas ruas foram classificados como os mais violentos em anos. Vítimas foram torturadas, arrastadas pelas ruas e muitas decapitadas. Algumas nem faziam parte dos protestos.

“Civis foram atacados dentro de suas casos por indivíduos ou grupos e foram espancados e mortos nas ruas de uma forma horrível e cruel com varas, facas, machados, barras de metal, pedras e cabos elétricos” – aponta o relatório.

O relatório da comissão apontou, também, que as autoridades locais de segurança não responderam às ligações de pedido de socorro.

Foto: Dagi Pictures

Hachalu Hundessa era uma das vozes mais poderosas do grupo étnico Oromo. O foco de suas músicas era a liberdade política. Sua visão era centrada no povo Oromo, que teria sido expulso dos arredores capital do país, Addis Ababa, após o governo decidir expandir as fronteiras da cidade.

Em 2015, suas músicas se tornaram hino em protestos que pediam a volta dos Oromos a suas terras. Em 2018, suas músicas foram trilha de manifestações que derrubaram o ditador Hailemariam Desalegn, acabando, assim, com a hegemonia política da etnia Tigré. Quem subiu ao poder foi o Oromo Abiy Ahmed. Hundessa foi morto a tiros enquanto dirigia pela capital do país, no dia 29 de março de 2020.

“Música é a minha vida. Me deu amigos e inimigos. Mas ainda é uma ferramenta que eu uso para falar pelo meu povo, uma ferramenta que eu uso para expressar meus sentimentos mais profundos”, disse em entrevista em 2017.

A Etiópia é o segundo país mais populoso da África e reúne mais de 80 grupos éticos. Os Oromos e os Amhara são os maiores. No país, a polarização política é baseada na etnia.

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Jornalista formada pela UCPel-RS, especialista em Relações Internacionais pela UnB e pós-graduanda em Cinema e Audiovisual pela Belas Artes de São Paulo. Podcaster no MIDcast política, #AdyNews e SulCast.

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