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Brasil

Precisamos enquadrar médicos, conselhos de medicina e entidades médicas

O CFM foi contra a liberação de cultivo de cannabis pra fins medicinais e validação temporária de diplomas da área da saúde por questões de “segurança”. Porém fica em silêncio quando assunto é o kit covid

Cleber Lourenço

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close up of face masks

Cientistas do mundo todo, médicos e até mesmo a Organização Mundial da Saúde já comprovaram a ineficácia e dos riscos do pseudo-tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina para casos covid-19.

E é claro, o uso indiscriminado de vermífugos e antibióticos certamente cobrará uma fatura caríssima no futuro com o surgimento de super doenças resistentes aos medicamentos atuais.

Mas o que mais me causa espanto é o perverso silêncio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e também dos conselhos regionais e outras entidades de classe entorno do protocolo assinado pelo ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, recomendando a adoção desses medicamentos nas fases iniciais do tratamento de pessoas infectadas com o novo coronavírus.

Embora o CFM não recomende o uso da hidroxicloroquina, eles permitem que os médicos possam, junto com o paciente, sobre a utilização da droga droga. Uma autorização para tratamento com medicamento sem eficácia comprovada. A mesma coisa para outros remédios como a ivermectina, conivência e silêncio com os diversos médico que inadvertidademente estou apelando para o curandeirismo chulo e barato para se cacifarem durante uma crise.

Se hoje o CFM atua como uma espécie de “entusiasta” da cloroquina e outros medicamentos sem comprovação, no ano passado o então diretor do Conselho Federal de Medicina (CFM) Salomão Rodrigues – hoje, segundo tesoureiro -, defendeu cautela na liberação de medicamentos derivados da maconha.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o projeto de lei 0399/15, que prevê a comercialização de medicamentos com extratos da cannabis sativa ele declarou:

“Todo fármaco tem benefícios e malefícios. Para liberar qualquer medicamento, temos de saber para que lado pende essa balança. E no caso dos derivados do cannabidiol, ainda não temos estudos suficientes”.

Bem, como um representante podemos presumir que ele e o CFM compartilham do mesmo posicionamento. Então por qual motivo, no ano seguinte (exatos 6 meses depois) o CFM não adotou tal cautela com as “feitiçarias” feitas por aí com o suposto objetivo de tratar a covid-19?

A birra com a maconha é tamanha que inclusive o CFM é contra o termo “maconha medicinal” e lançou até mesmo divulgou um conjunto de dez ações sobre nomenclaturas para tratar a Cannabis e seus efeitos colaterais.

Dentro de casa

Recentemente, minha vó estava com suspeita de covid-19 (graças a Deus era apenas uma suspeita), mas sem qualquer exame ou comprovação o médico em questão receitou para ela um “coquetel” de remédios, entre eles estava lá o kit covid completo. Eu já havia sido contra o uso dos medicamento, posicionamento que foi avalizado pelo meu irmão, um bio farmacêutico.

Minha querida vó já passou dos 70 anos e os remédios receitados possuem uma penca de efeitos colaterais, um raro caso onde a pseudocura era pior que a doença.

Naquele momento me perguntei, quantas pessoas não estão arriscando as suas vidas e até mesmo sofrendo com uma piora do seu estado clinico pela prescrição inadvertida de medicamentos?

A resolução do CFM é ainda mais perversa do que se pode imaginar, pois ela joga nas costas do paciente a responsabilidade pela decisão de usar e consequentemente pelas consequências. Um singelo “se vira aí”.

Inclusive, até mesmo Anvisa esclarece que ivermectina não é indicada contra covid-19 e também não recomenda a cloroquina!

Isso não impediu que em setembro, 10 mil médicos mobilizados através das redes sociais, organizassem um evento onde entregaram ao presidente uma carta que carregava o que seria uma solução para SUPOSTAMENTE combater a covid-19 (mais curandeirismo com o kit covid) com mais eficácia.

Menos direitos

Se o CFM é cauteloso com a maconha e desvairado ocm o kit covid, a coisa fica ainda pior quando falamos de diretos das mulheres.

A instituição publicou no ano passado uma resolução estabelecendo “normas éticas para a recusa terapêutica”. E logo no artigo 5º, surge uma bizarra exceção: 

“A recusa terapêutica manifestada por gestante deve ser analisada na perspectiva do binômio mãe/feto, podendo o ato de vontade da mãe caracterizar abuso de direito dela em relação ao feto”

O artigo vem sem qualquer disciplinamento de como se vai analisar e decidir o que é ou não é abuso.  Logo, entende-se que, se uma gestante recusar-se a passar por procedimentos invasivos e desnecessários (leia-se: violência obstétrica), isso pode ser caracterizado como “abuso de direito”. E, quando há abuso de direito, “a recusa terapêutica não deve ser aceita pelo médico”.

A coisa toda é tão absurda que este artigo foi suspenso pela justiça junto com outros três artigos da resolução 2232/2019 do CFM. Notem: o conselho não pode legislar sobre direitos dos pacientes.

Nota: O CFM nega o termo “violência obstétrica”, considerado pela entidade como “uma agressão contra a especialidade médica de ginecologia e obstetrícia”. Porém o Ministério da Saúde emitiu despacho abolindo o uso da expressão.

Politização

É absurdamente preocupante essa politização de uma instituição que possui o poder para fechar hospital, lacrar pronto-socorro ou centro cirúrgico, interditar um profissional ou uma clínica com indícios de ilegalidades ou práticas consideradas antiéticas ou de charlatanismo.

Em maio, o presidente Jair Bolsonaro até mesmo divulgou um vídeo em que presidente do CFM ataca governadores do Nordeste, chama-os de nordestinos. O motivo de tanta fúria seria o pedido dos governadores para validar temporariamente o diploma de profissionais que chama de “supostos médicos” formados no exterior durante a pandemia.

Mais uma vez assistimos o CFM pedindo cautela para um tema e nenhuma moderação para o kit covid. Dois pesos e duas medidas.

Se o CFM estivesse verdadeiramente preocupado com a saúde pública brasileira, poderia começar se impondo de maneira mais contundente contra a prescrição de medicamentos sem qualquer tipo de eficácia comprovada. E mais, estaria preocupado com as super doenças que o uso indiscriminado dessas substâncias podem causar.

Um representante da OMS (Organização Mundial da Saúde), firmou ao tabloide inglês The Sun que uma nova doença aparentemente está surgindo no mundo: a “supergonorreia”, que está se disseminando graças ao uso de antibióticos em meio à pandemia da COVID-19.

Aproveitando o ensejo….
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