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Brasil

O jornalismo declaratório afunda o país

Bolsonaro e Paulo Guedes, ao lado de extremistas de direita, negacionistas da ciência e defensores da antivacinação se tornaram os maiores pauteiros da imprensa brasileira e o pior: com a anuência das redações e seus editores.

Cleber Lourenço

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Quando Donald Trump, desandou a falar descalabros em seu “discurso de derrota”, diversos veículos de imprensa interromperam a transmissão para fazer o contraponto aos absurdos falados pelo então presidente americano.

A imprensa brasileira, jornalistas e quem acompanhou aquilo ficou maravilhada, todos correram para apontar o ato como um exemplo à ser seguido. Nos dias que se seguiram os elogios permaneceram, mas um questionamento também: Faríamos o mesmo se fosse no Brasil?

A resposta é não. O país hoje vive uma epidemia (além da covid) do jornalismo declaratório, um jornalismo descompromissado com a sociedade e com o dever de informar. Lides e mais lides com declarações de pessoas que ou mentem, ou não são sequer especialistas no tema que estão abordando.

Um exemplo disso são as manchetes que saíram quando Bolsonaro disse que Brasil é referência no combate à Covid. Bastava dizer:

“Bolsonaro MENTE e diz que Brasil é referência no combate à Covid”.

Assim como em outras declarações absurdas de expoentes da sociedade brasileira:

A perseguição contra a imprensa promovida por Jair Bolsonaro e seus apoiadores criou uma excessiva necessidade dos veículos mostrarem que eram imparciais. Tudo sob o medo irascível de serem tachados de “petistas” ou qualquer outro adjetivo que os vinculasse a esquerda.

Pior ainda é como declarações flagrantemente falsas e tendenciosas, viram fatos concretos induzindo o leitor ao erro, uma vez que tais declarações mentirosas são publicadas sem qualquer contraponto ou alerta. E assim informações baseadas em pura má fé ou empirismo são reproduzidas como verdades absolutas.

É inegável a contribuição do jornalismo declaratório em construir o regime de pós-verdades do governo, de maneira intencional ou não. Quantas matérias não são simplesmente uma repetição de qualquer asneira dita pelo presidente e seus aliados?

O jornalismo brasileiro esqueceu-se do seu compromisso em informar a sociedade. O jornalismo declaratório firmou de maneira direta (ou até mesmo diretamente) um compromisso com as autoridades, entrevistados e governo. Se as declarações são incompletas, incoerentes, contraditórias ou distorcidas, a função do jornalismo é dar publicidade e iluminar à luz dos fatos essas situações.

Chegamos ao cúmulo de não conseguimos sequer distinguir o que é fato/notícia do que é opinião:

Se hoje os absurdos proferidos pelo presidente e apoiadores foram normalizados, muito se deve ao jornalismo declaratório que se omitiu de fazer qualquer questionamento. A mesma coisa para o aumento do movimento antivacinação no país.

Negacionistas e até desvairados completos tiveram suas opiniões reproduzidas aos quatro cantos sem qualquer oposição, transformando uma opinião em notícia, em fato. Um exemplo disso são as inúmeras chamadas com frases absurdas ditas pelo prosélito de extrema direita, Olavo de Carvalho. Sempre que diz alguma besteira nas redes, essa besteira é reproduzida à exaustão pelos veículos sem que qualquer jornalista tenha capacidade de apontar que aquilo ali é uma estridente mentira.

Em tempos onde todo mundo se julga capaz de ensinar jornalistas a fazerem jornalismo, a publicação irresponsável de declarações irresponsável patrocina ainda mais esse tipo de comportamento (que também está errado por si só).

Jornalismo declaratório é simplesmente mau jornalismo que não cumpre seu papel de informar. O verniz de algo factível tem peso na população e influencia diretamente as decisões de muita gente.

O movimento antipolítica de 2013 até 2018 acentuou ainda mais esses problemas ao colocar a política e o poder público como algo restrito e distante da população, ora como um antro onde há apenas corrupção, distanciando o leitor da política.

Hoje o jornalismo declaratório tem a finalidade de usar entrevistas e opiniões de interlocutores para disfarçar opiniões fortemente influenciadas pelas convicções de quem edita o texto.

É assim que figuras como Paulo Guedes surfam na imprensa, com seus números e previsões que nunca se concretizam que são constantemente publicados aos quatro cantos sem qualquer questionamento sobre a previsão anterior que já havia caído por terra.

Hoje, Bolsonaro e Paulo Guedes, ao lado de extremistas de direita, negacionistas da ciência e defensores da antivacinação se tornaram os maiores pauteiros da imprensa brasileira e o pior: com a anuência das redações e seus editores.

Aproveitando o ensejo….
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Nada é mais importante para a democracia do que um eleitorado bem informado. Apaixonado por jornalismo e política. Textos publicados em: Revista Forum, Congresso em Foco e no UOL (pelo blog Entendendo Bolsonaro)

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