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Brasil

Quando a imprensa vai abandonar o ‘pauloguedismo’?

Recentemente ele revelou que o combate à pandemia custou R$ 599,5 bi até agora, o
Ministro da Economia ainda estimou em 20 bi o custo de uma campanha de vacinação em massa. Antes havia dito que com R$ 5 bi se vencia a pandemia.

Cleber Lourenço

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Resultados pífios na economia e um caminhão de previsões amalucadas dignas de quem crê em terra plana e que vacinas causam autismo. Esse é o Ministro da Economia, Paulo Guedes, tido por boa parte da imprensa como um dos quadros técnicos do governo (o governo não possui nenhum quadro técnico), mesmo após ameaçar a democracia brasileira com um AI-5.

Vamos mais uma vez para a listinha infame que gosto de exibir quando falamos deste sujeito:

  • Zerar o déficit público no primeiro ano de mandato e transformá-lo em superávit no segundo ano;
  • Prometeu uma ampla venda dos imóveis pertencentes à União que, segundo ele, poderiam render R$ 1,1 trilhão aos cofres públicos;
  • Prometeu a reforma tributária ainda em 2019, estamos fechando 2020 e ele entrou apenas a primeira parte;
  • Sem fundamento algum, disse que poderia acabar com o coronavírus com até R$ 5 bilhões
  • Prometeu imposto digital e horas depois desistiu;
  • Prometeu um crescimento em ‘V’ durante a crise do coronavírus;
  • E sob a batuta de Paulo Guedes agora o governo promete que PIB pode crescer 46% até 2031;
  • Além das inúmeras promessas de PIB para este ano e ano que vem.

Recentemente ele revelou que o combate à pandemia custou R$ 599,5 bi até agora, o
Ministro da Economia ainda estimou em 20 bi o custo de uma campanha de vacinação em massa. Antes havia dito que com R$ 5 bi se vencia a pandemia.

Tudo isso enquanto o desemprego diante da pandemia atinge 14,2% em novembro.

Ainda durante a pandemia uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em julho deste ano, mostrou que apenas 18% das micro e pequenas empresas conseguiram crédito na pandemia através do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Portem (Pronampe), vale lembrar que até então o programa ainda não havia chego em todos os bancos. Algo que contradiz a afirmação do Ministro do o exito do programa.

E maio, a equipe economia falava em um déficit primário de R$ 540 bilhões. Em julho o aumento de gastos e a queda de arrecadação em meio à pandemia de Covid-19 mudou a previsão para R$ 800 bilhões. Já o deficit nominal que segundo a equipe do Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, previu chegar a 13% do PIB no fim do ano, já está para chegar na casa dos 14%.

E não que eu seja favorável às privatizações, porém foi outra bandeira defendida pelo governo que também virou água, primeiro era para “semana que vem” depois virou “não prometo mais nada”.

A reforma tributária também, ficou por meses na fase da semana que vem e quando entregue, foi entregue pela metade, de qualquer jeito. Como uma criança que faz a lição de casa no ultimo minuto para entregar para a professora.

O ministro não possui a mínima condição de se conduzir a pasta, é um potencializador de problemas, se já não bastasse os causados pelo seu próprio chefe, o presidente.

Guedes não consegue conduzir um diálogo com o Congresso sem descambar para brigas, discussões e trocas de acusações em notas oportunistas e bem posicionadas em diversos jornalões do país. Para o ministro, os culpados sempre são os outros e a semana que vem sempre será melhor.

O ministro possui uma estridente dificuldade em apresentar os fatos como eles são, sem floreá-los ou terceirizar as culpas da sua pasta para terceiros.

E isso tudo com a imprensa que recorrentemente, apela para entrevistas que mais parecem, uma nota da assessoria do próprio ministério e a insistência das redações e taxarem o Ministro que listou os opositores (detratores) para monitoramento, como alguém moderado, como um expoente da inexistente ala técnica do governo.

A gentileza com que é tratado pelos analistas políticos e jornalistas econômicos é de uma doçura impar, não condiz com o quem claramente transformou a economia do país em um trem desgovernado.

E ainda de maneira colateral, oferece uma sutil chancela para para que o presidente possa falar asneiras em lives nas redes sociais e até mesmo em rede nacional. Funciona de duas maneiras peculiares essa chancela e que explicarei logo abaixo:

A primeira forma em que isso ocorre é dando a falsa impressão de que o presidente pode falar as besteiras e fazer os descalabros que quiser. Bolsonaro não afeta a economia com suas sandices, para a economia temos o Paulo Guedes para garantir tudo. Bolsonaro pode fazer o que quiser.

A segunda chancela é mais abjeta ainda. Não se pode abrir um processo de impeachment ou então “perderemos” o Paulo Guedes, o oásis de sensatez em um governo de desvairados.

E o pauloguedismo as vezes extrapola os limites da razoabilidade (se é que existem). Como da vez que o Ministro deixou de lado as preocupações com a alta do dólar para fazer piada e tirar onda com os brasileiros.

Em um país sério isso renderia capas de jornais e convulsão social, no Brasil rendeu isso aqui:

Imagem

É um movimento sutil mas é possível ver suas nuances como quando à pedido do ministro Paulo Guedes, Bolsonaro vetou o trecho da Lei 14.109/2020 que prevê que todas as escolas públicas brasileiras tenham acesso a internet banda larga até 2024. Na imprensa virou:

“Bolsonaro veta banda larga em todas as escolas públicas até 2024”.

Ou seja, quando algo de ruim acontecer, “joga” no colo do Bolsonaro, ele já é louco e incapaz mesmo, né? Santo é o Paulo Guedes. Depois voltamos para os espantalhos que comentei acima.

E assim coisas obscuras sobre como a associação liderada pela irmã de Paulo Guedes se beneficia de cortes no ensino vão ficando no ostracismo. Isso quando não partem para editoriais elogiosos disfarçados de reportagem.

E embora boa parte da imprensa diga que faça oposição ao governo Bolsonaro e que defenda a democracia e o Brasil. É a mesma imprensa que todo dia diz com o seu jornalismo declaratório que economia voltou a crescer e que o pior já passou. A mídia brasileira, uma parte considerável, faz assessoria de imprensa para Paulo Guedes e finge odiar Bolsonaro.

Afinal de contas, tudo bem a democracia ser ameaçada, tudo bem o presidente desdenhar de uma pandemia e notoriamente trabalhar contra o fim da pandemia no Brasil. É nesse contexto que notícias como “Economia é o maior acerto de Bolsonaro e seu trunfo para 2022”, surgem.

O pauloguedismo faz mal não só para os trabalhadores, pequenos e médios empresários brasileiros, faz mal para a democracia.

Aproveitando o ensejo….
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Nada é mais importante para a democracia do que um eleitorado bem informado. Apaixonado por jornalismo e política. Textos publicados em: Revista Forum, Congresso em Foco e no UOL (pelo blog Entendendo Bolsonaro)

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