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América Latina

Investigação revela que o governo do México ocultou dados sobre a gravidade do coronavírus na capital do país

Levantamento realizado pelo jornal The New York Times afirma que o governo utilizou números menores em leitos hospitalares com respiradores ocupados e a porcentagem de resultados positivos para o Covid-19.

Karla Burgoa

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Funcionários do governo federal informaram no dia 4 de dezembro que a Cidade do México não havia atingido o nível crítico de infecção por COVID-19, quando na verdade havia ultrapassado o limite estabelecido para declarar o fechamento de sua economia, segundo uma análise dos números oficiais publicados pelo jornal americano The New York Times.

A reportagem, escrita pela jornalista Natalie Kitroeff, revela que, enquanto o coronavírus se espalhava rapidamente pela capital do país, as hospitalizações aumentavam e já não havia respiradores disponíveis, “as autoridades mantiveram a capital aberta ao público por mais duas semanas, com suas ruas lotadas e seus restaurantes cheios de famílias”.

Segundo a matéria, ao fazer o cálculo para a Cidade do México no início do mês, o governo utilizou cifras menores em duas áreas críticas – a porcentagem de camas de hospitais com respiradores que estavam ocupadas e a porcentagem de resultados positivos dos testes de covid. Ao serem questionados pelo jornal, os funcionários do governo não explicaram de onde procediam as cifras mais baixas.

Na última sexta-feira, 18 de dezembro, as autoridades anunciaram que a Cidade do México estava voltando ao vermelho devido ao risco de infecção por coronavírus, mas até então os hospitais da capital já estavam lotados, e médicos, sobrecarregados, começaram a publicar apelos desesperados nas redes sociais, pedindo para que a população ficasse em casa e alertando que não havia mais leitos, noticiou o jornal.

Na semana passada, a Cidade do México estabeleceu um recorde atrás do outro de pacientes internados desde o início da pandemia. O país já registrou 118.202 mortes, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. É a quarta nação com mais óbitos no mundo.

“Estamos sozinhos, o governo federal não está nos ajudando, eles estão realmente agindo de forma leviana, fazendo pouco caso da situação”, relatou a Dra. Diana Banderas, que trata os pacientes com coronavírus no Hospital Carlos MacGregor na Cidade do México, ao New York Times.

“Ao contrário de muitos líderes mundiais,  o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, não implantou nenhum programa de estímulo para apoiar as empresas e aqueles que ficaram desempregados durante a pandemia. Recentemente, a prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo evitou um fechamento porque “essa época do ano é muito importante em termos econômicos para as famílias”.

O relatório de Kitroeff afirma que mais de 85% dos leitos hospitalares da capital foram ocupados no domingo, de acordo com dados federais, em comparação com 66% quando o governo decidiu adiar o fechamento.

“Rejeitados pelos hospitais públicos e incapazes de pagar por clínicas privadas, um número crescente de mexicanos está morrendo em casa. Os parentes dos pacientes fazem fila durante horas fora das lojas médicas para comprar oxigênio para seus entes queridos que estão combatendo o vírus de suas casas”, conclui.

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Jornalista boliviana, periodista potiguar. Formada pela UFRN, já trabalhou com telejornalismo diário e rádio, e atualmente, busca por meio da escrita, contribuir por uma mídia brasileira que enxergue a América Latina além dos esteriótipos

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