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Europa

Ministério da Defesa britânico ameaçou jornalistas investigativos

O Conselho Europeu acusa o governo britânico de ameaçar a liberdade de imprensa.

Nathália Urban

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close up of gate of buckingham palace

Em Julho, a plataforma investigativa Declassified, acusou o Ministério da Defesa de ter colocado o site na “lista de indesejáveis” em setembro de 2020, o que levou o Conselho Europeu a acusar o governo britânico de ameaçar a liberdade de imprensa.

Após o incidente anterior, a Sociedade de Editores escreveu ao Ministério da Defesa pedindo esclarecimento de que não era política oficial isolar organizações de notícias do Reino Unido de maneira favorável ou desfavorável.

Posteriormente, o Declassified recebeu um pedido de desculpas do Ministério após um incidente que ocorreu em agosto. Phil Miller, jornalista do meio de comunicação investigativo, contactou o Ministério da Defesa para solicitar um comentário sobre a prisão de Ahmed al Babati, um soldado em serviço, perto de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro em Londres, por protestar contra o envolvimento do Reino Unido no bombardeio da Arábia Saudita ao Iêmen.

Ele recebeu uma ligação de volta do Ministério e foi informado de que eles tinham “algo pronto sobre o assunto” e que seria enviado a Miller em breve. Durante o telefonema, perguntaram a Miller “Que tipo de ângulo vocês usarão para falar sobre a guerra no Iêmen?”. Miller respondeu: “É apenas uma documentação bastante factual do apoio militar britânico e da indústria de defesa à coalizão liderada pelos sauditas”.

Menos de uma hora depois, Miller recebeu um e-mail dizendo que o ministério não enviaria nada naquele dia, mas que ele deveria “enviar um FOI (solicitação de liberdade de informação) para qualquer coisa que solicitasse”.

Mais tarde naquele dia, quando o Telegraph, tradicional jornal conservador, publicou uma matéria sobre o assunto. Quando essa situação foi denunciada, o secretário de Defesa, Ben Wallace, confirmou que uma revisão independente ocorreria.

Uma revisão sobre a forma como o governo lidou com o Declassified revelou que os assessores de imprensa do Ministério da Defesa, acreditavam que seu diretor de comunicações “sancionou uma proibição geral” de fornecer qualquer comentário à organização de jornalismo investigativo.

Em vez de abordar a violação da política interna, o diretor de comunicações do Ministério concordou que seu departamento não deve perder tempo com o Declassified porque era um site hostil, em vez de uma organização de “notícias adequada”.

Esse ano, o Declassified publicou uma série de histórias sobre o treinamento do Reino Unido para a coalizão liderada pelos sauditas na guerra no Iêmen, com base nas respostas de Liberdade de Informação fornecidas pelo Ministério da Defesa.

A postura do departamento de comunicação do Ministério da Defesa foi interpretada pelo restante da assessoria de imprensa “como uma orientação para não engajar com o Declassified”.

Apesar do relatório não ter dito o nome, o diretor de comunicações do Ministério da Defesa era Carl Newns, um ex-vice-chefe de contraterrorismo do Ministério das Relações Exteriores. Newns, saiu do cargo em novembro, e está agora no Cabinet Office como diretor de comunicação do Diretório de Resiliência, com foco na Covid-19.

Esse caso só foi levado a sério pelo governo, quando ministros intervieram, e no último dia 7 de dezembro, a revisão do departamento de comunicação do Ministério da Defesa foi submetida para arquivamento na biblioteca da câmara dos comuns, em Londres.

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