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Brasil

2 anos da tragédia de Milagres. Onde PMs mataram 6 reféns

Para combater o crime, os PMs, aparentemente, cometeram mais crimes que os próprios criminosos, elencados no indiciamento estão homicídios dolosos, destruição de provas, execuções posteriores à matança dos reféns, falsidade ideológica, latrocínio e até ameaça contra testemunhas e a policiais que investigavam o caso.

Cleber Lourenço

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Essa semana a tragédia da cidade de Milagres (CE) completa, dois anos, e você não verá em nenhum lugar informações sobre o caso que envolve uma uma tentativa de assalto à duas agências, uma do Bradesco e outra do Banco do Brasil (BB) ocorrida na madrugada de 7 de dezembro de 2018.

14 pessoas foram mortas por PMs durante uma tentativa de assalto a banco na Região do Cariri em 7 de dezembro de 2018. Seis das vítimas eram reféns. Entre as vítimas estavam 3 adultos e 2 adolescentes, de 14 e 13 anos, da mesma família. As imagens das câmeras de segurança do local mostram que os tiros foram feitos por PMs.

Desde então, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública afastou 19 PMs. Três deles são acusados de intervir na cena do crime com o objetivo de alterá-la e induzir o erro da perícia.

Além disso, o vice-prefeito de Milagres na época, Abraão Sampaio, foi indiciado por fraude processual. Ele é acusado de contribuir na alteração da cena do crime. Dois anos após o crime, 19 PMs e o então vice-prefeito ainda não foram julgados.

Parte dessa impunidade pode ser creditada ao Ministério Público do Ceará que solicitou à Justiça apenas o afastamento dos envolvidos na carnificina. Demanda que foi negada pelo juiz da comarca de Milagres. Contrariado a comissão de delegados da Polícia Civil que investigou o caso e que recomendava a prisão dos envolvidos no crime.

O MP ainda afirmou que a morte da refém Edneide da Cruz Santos, pelos PMs, seria por legítima defesa (?!).

A tragédia que matou oito criminosos e seis reféns ainda não teve nenhum dos envolvidos responsabilizado pelos crimes cometidos.

Isso porque a lei anticrime de Sergio Moro que previa impunidade para policiais homicidas, não prosperou.

Entre tantos absurdos que envolveram este caso, ainda temos o advogado Ricardo Valente Filho, do Conselho de Defesa do Policial no Exercício da Função (CDPEF), da Secretaria de Segurança, defende que a ação policial que assassinou todos os reféns, configura como excludente de ilicitude.

Notem, nenhum dos reféns morreu nas mão dos bandidos (sem farda). Ele ainda culpa as vítimas executadas ao afirmar que “elas não gritaram, não pediram socorro, não acenaram, sem comunicação verbal ou visual”.

Para combater o crime, os PMs, aparentemente, cometeram mais crimes que os próprios criminosos, elencados no indiciamento estão homicídios dolosos, destruição de provas, execuções posteriores à matança dos reféns, falsidade ideológica, latrocínio e até ameaça contra testemunhas e a policiais que investigavam o caso.

Nada é mais importante para a democracia do que um eleitorado bem informado. Apaixonado por jornalismo e política. Textos publicados em: Revista Forum, Congresso em Foco e no UOL (pelo blog Entendendo Bolsonaro)

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